Debate acalorado marca sessão na Câmara de Salvador por repasse de emendas
Vereadores trocam acusações sobre critérios e obrigatoriedade no pagamento de recursos parlamentares
Por: Redação
06/05/2026 • 13h07
A sessão ordinária da Câmara Municipal de Salvador realizada nesta terça-feira (5) foi marcada por um intenso embate verbal entre parlamentares da base governista e da oposição. O motivo da discussão foi a cobrança, por parte de vereadores oposicionistas, do pagamento das chamadas emendas impositivas.
O confronto teve início após o líder da oposição, Randerson Leal (Podemos), criticar declarações feitas pelo vereador Téo Senna (PSDB), primeiro vice-líder do governo, em entrevista à rádio Baiana FM. Na ocasião, Senna afirmou que apenas parlamentares que “merecerem” teriam acesso às emendas.
Em resposta, Leal rebateu a fala e destacou que o repasse das emendas não depende de mérito individual, mas sim de uma garantia constitucional. Segundo ele, todos os vereadores eleitos têm direito ao recurso.
“É um direito de cada vereador. As emendas impositivas estão previstas na Constituição Federal, não são destinadas a quem ‘merecer’. Todos fomos eleitos pelo povo de Salvador e precisamos garantir um mandato forte para atender às demandas da população”, afirmou.
O parlamentar ainda reforçou que os recursos não representam privilégio, mas sim um instrumento legítimo de atuação legislativa. “Não são emendas para a oposição, são para a cidade, para as comunidades que representamos”, completou.
Diante do clima tenso, o presidente da Câmara, Carlos Muniz (PSDB), interveio para amenizar o conflito. Ele ponderou que a declaração de Senna refletia uma opinião pessoal e garantiu que não havia qualquer orientação institucional para restringir o pagamento das emendas. “Tenho certeza de que as emendas foram encaminhadas. Não acredito que tenha sido um recado do Executivo, mas sim uma opinião que deve ser respeitada”, disse.
Ao retomar a palavra, Téo Senna defendeu seu posicionamento e ressaltou o direito à livre manifestação dentro do Legislativo. Ele também afirmou que, em sua visão, os parlamentares devem contribuir de forma mais alinhada com a gestão municipal. “É um direito meu expressar minha opinião. Acredito que devemos colaborar com o governo e não apenas criticar”, declarou.
O episódio evidencia o clima de tensão entre situação e oposição na Casa, especialmente em torno da execução das emendas impositivas, tema recorrente nos debates legislativos municipais.

