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Contaminação em praia de Salvador vira disputa de versões na Câmara

Vereador muda discurso, aponta cobre e nitrato e isenta operação atual sem apresentar laudos públicos

Por: Redação

15/04/202610h03

Foto: Reginaldo Ipê/CMS

O avanço da contaminação na praia de São Tomé de Paripe, em Salvador, deixou de ser apenas um problema ambiental para se transformar em mais um capítulo de embate político e incerteza pública. Em discurso recente na Câmara Municipal, o vereador Orlando Palhinha (União) apresentou uma nova versão para a origem dos resíduos encontrados na areia e, ao mesmo tempo, recuou de sua posição anterior.

Segundo o parlamentar, análises apontariam a presença de cobre e nitrato como principais agentes contaminantes. A declaração, no entanto, veio acompanhada de uma mudança de narrativa. Se antes Palhinha defendia o fechamento do terminal portuário da região como medida imediata, agora sustenta que a operação atual não teria responsabilidade direta pelo problema.

A reviravolta ocorreu após uma visita ao Terminal Itapuã, realizada com outros vereadores. Com base nessa inspeção, ele afirma que a atividade em curso voltada ao transporte de fertilizantes não condiz com os resíduos identificados. Ainda assim, a explicação apresentada levanta questionamentos técnicos e políticos, já que não foi acompanhada de laudos independentes divulgados publicamente.

Para sustentar sua tese, o vereador recorreu ao histórico da área. Ele citou o período em que o terminal era operado pela Gerdau, até 2022, quando havia movimentação de materiais compatíveis com os contaminantes apontados. Na visão dele, o problema seria um passivo ambiental antigo, que permaneceu oculto mesmo após intervenções estruturais recentes.

A argumentação, no entanto, simplifica uma questão complexa. Especialistas costumam apontar que contaminações desse tipo exigem análises detalhadas sobre solo, correntes marítimas e histórico de atividades industriais. A ausência desses dados no debate público fragiliza conclusões categóricas e abre espaço para disputas narrativas.

Enquanto isso, o impacto ultrapassa a faixa de areia. A paralisação das operações no terminal passou a ser tratada como uma ameaça econômica, especialmente para o agronegócio do oeste baiano. Segundo o vereador, cerca de 70% dos fertilizantes utilizados na região dependem da estrutura, o que levanta o risco de desabastecimento em um momento sensível do calendário agrícola.

Entre versões conflitantes, interesses econômicos e preocupação ambiental, o caso segue sem resposta definitiva. O que já está claro, porém, é que a contaminação deixou de ser apenas um problema técnico e passou a expor as fragilidades na gestão, fiscalização e transparência sobre impactos ambientais em Salvador.