Moradores cobram prefeito por atraso em conjunto habitacional: “Deixa de caô, entrega o habite-se”
Impasse envolvendo liberação de documento impede entrega de 300 moradias e mantém famílias em situação de vulnerabilidade
Por: Redação
09/04/2026 • 17h02 • Atualizado
A suspensão da entrega de cerca de 300 unidades habitacionais do Residencial Zulmira Barros, em Salvador, transformou-se em mais um capítulo de embate político entre a Prefeitura e o governo da Bahia, desta vez com a pressão direta de moradores que aguardam, em situação de vulnerabilidade, a liberação para ocupar os imóveis.
Em vídeo divulgado nas redes sociais pelo coordenador de Articulação Social da Secretaria de Relações Institucionais da Bahia (Serin), Joel Meireles, nesta quarta-feira (8), famílias beneficiadas pelo empreendimento aparecem reunidas em frente ao conjunto, cobrando a emissão do “habite-se”, documento indispensável para a ocupação legal das residências. O apelo é direcionado diretamente ao prefeito Bruno Reis, com críticas à demora.
“Estou precisando que o prefeito se sensibilize não só por mim, mas por muitos aqui. Tem gente desempregada, despejada, morando de favor, em situação de risco. Tenha empatia pela gente, libere o habite-se”, afirmou Cleide, mãe de duas crianças e uma das futuras moradoras.
Em tom mais incisivo, o grupo entoa em coro: “Bruno Reis, deixa de caô, entrega o habite-se”.
Entrega frustrada e disputa institucional
O Residencial Zulmira Barros integra um programa habitacional federal voltado à população de baixa renda. A entrega estava prevista para o dia 2 de abril, em cerimônia que contaria com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, o evento foi cancelado após a Prefeitura não emitir o habite-se, travando oficialmente a liberação do empreendimento.
A decisão deu início a uma troca de acusações entre os governos municipal e estadual.
De um lado, o governador Jerônimo Rodrigues atribui à Prefeitura a responsabilidade pelo impasse. Segundo ele, a não liberação do documento inviabilizou a agenda prevista com o presidente.
Do outro, o prefeito Bruno Reis sustenta que o problema foi causado por falhas na entrega de documentação por parte do governo estadual, apontando desorganização no processo.
Escalada de tensão política
A crise se agravou com declarações públicas que elevaram o tom do confronto. Em coletiva recente, Bruno Reis fez críticas contundentes à condução do governo estadual, chegando a ironizar a agenda das autoridades envolvidas.
As falas foram rebatidas por Jerônimo Rodrigues, que classificou as declarações como injustas e negou irregularidades ou descaso na organização do evento. O governador também defendeu o presidente Lula, rejeitando insinuações sobre sua conduta durante a agenda em Salvador. “Não dá para destilar ódio e colocar o povo contra um presidente querido na Bahia. É injustiça”, afirmou.
Moradores no centro do conflito
Enquanto o embate político se intensifica, moradores seguem à espera de uma solução concreta. Muitos relatam situações de extrema dificuldade, incluindo desemprego, risco de despejo e moradia precária.
A cobrança pública evidencia o impacto direto da disputa institucional na vida de centenas de famílias, que permanecem sem acesso às moradias já concluídas.
Sem previsão oficial para a liberação do habite-se, o caso segue indefinido, e expõe não apenas divergências administrativas, mas também o custo social de impasses políticos prolongados.

