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Midterms nos EUA ocorrem sob interferência de Trump

Por: Redação

03/11/2026 • 19h10

As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos enfrentam tentativas de desestabilização por parte do ex-presidente Donald Trump.

A votação final das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos acontece nesta terça-feira (3) em um clima de interferência eleitoral sem precedentes promovida por Donald Trump. O ex-presidente tem um histórico de contestar resultados de eleições que não foram favoráveis a ele, como demonstrado em sua tentativa de anular a vitória de Joe Biden em 2020 e suas declarações sobre uma possível derrota em 2024.

As midterms, que ocorrem a cada quatro anos, são responsáveis pela escolha de todos os 435 assentos da Câmara dos Representantes e 35 dos 100 senadores, além de governadores em 36 estados, parlamentares estaduais e autoridades locais. Trump, que ainda alega sem evidências a ocorrência de fraude eleitoral, tem utilizado a influência do governo federal para questionar a integridade da votação, com foco no Departamento de Justiça (DoJ).

Tradicionalmente, o DoJ atua de forma independente, similar ao Ministério Público Federal no Brasil. No entanto, sob a administração de Trump, essa autonomia foi comprometida, com a nomeação de líderes que buscaram processar adversários políticos e conduzir investigações que levantavam dúvidas sobre o processo eleitoral. A atuação do DoJ, que deveria proteger o direito ao voto, foi direcionada para investigar alegações infundadas de fraude.

Além disso, estados sob controle republicano e grupos aliados têm levado diversas questões à Suprema Corte, resultando em decisões que enfraqueceram a proteção do Voting Rights Act de 1965, permitindo que os republicanos desenhassem novos mapas eleitorais que favorecem suas candidaturas.

O DoJ, cujas ações foram em grande parte rejeitadas judicialmente, processou 30 estados, principalmente democratas, por supostamente não fornecerem dados de eleitores. A emissora CNN reportou que informações obtidas pelo DoJ foram parar nas mãos do ICE, a agência de imigração dos EUA. Em uma operação considerada incomum, o FBI apreendeu cédulas da eleição presidencial de 2020 na Geórgia, mas não encontrou fraudes. O Partido Democrata classificou essa ação como um "ataque à democracia".

O DoJ ainda tentou barrar a contagem de 20 mil cédulas enviadas pelo correio na Califórnia, alegando que poderiam ter sido enviadas por imigrantes sem cidadania, mas perdeu em todas as instâncias, incluindo na Suprema Corte. Recentemente, o DoJ anunciou que enviou mais de mil monitores eleitorais a 50 estados para identificar possíveis problemas nas votações. Até o momento, não houve relatos de irregularidades nos locais de votação.

Fonte: Política Livre