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Proposta de Lara Resende para reduzir Selic gera inquietação no mercado financeiro

Por: Redação

01/11/2026 • 18h58

A sugestão do economista André Lara Resende para limitar a taxa Selic preocupa investidores e chama a atenção do presidente Lula.

Uma proposta apresentada pelo economista André Lara Resende, um dos responsáveis pela formulação do Plano Real, visa reduzir a taxa Selic através de um novo arranjo entre as políticas fiscal e monetária. Essa ideia já despertou a atenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e provoca apreensão no mercado financeiro.

A proposta surge em um momento em que há pressão para que o governo Lula elabore uma agenda fiscal consistente. A preocupação com a situação das contas públicas levou aliados do presidente a sugerir que a definição da equipe econômica para seu quarto mandato seja antecipada, com o intuito de enviar mensagens mais claras ao mercado e conter a valorização do dólar observada após o segundo turno das eleições.

Lara Resende argumenta que a alta da Selic, atualmente em 13,75% ao ano, é um fator que contribui para a deterioração da relação dívida/PIB, que alcança 82,5%, o maior patamar desde 2021. Ele propõe uma espécie de "tabelamento" da taxa Selic, argumentando que a alta dos juros é um dos principais responsáveis pelo crescimento da dívida pública, que atualmente é de R$ 10,9 trilhões.

Ele defende que o Banco Central deve trabalhar em conjunto com um novo Conselho Fiscal e Monetário Nacional, com o objetivo de estabelecer metas conjuntas para a política fiscal e monetária. A proposta será discutida durante um encontro entre Lara Resende e Lula, embora ainda não haja confirmação oficial desse encontro.

Representantes da equipe econômica ressaltam que o presidente busca ouvir diferentes opiniões sobre política monetária e fiscal. O artigo de Lara Resende, publicado no fim de setembro, foi apoiado por líderes do PT, que veem na proposta uma oportunidade de enfrentar a pressão sobre a política fiscal.

Entretanto, a possibilidade de reduzir a taxa Selic por decisões políticas sem uma âncora fiscal sólida é vista como um risco por especialistas do mercado financeiro. Eles alertam que tal abordagem poderia levar a um descontrole fiscal, com consequências negativas para a economia, como aumento da inflação e desvalorização do real.

Economistas críticos à proposta afirmam que a redução da Selic deve ser acompanhada de um ajuste fiscal eficaz, uma vez que a falta de credibilidade fiscal é a verdadeira raiz do problema. A ideia de criar um Conselho Fiscal e Monetário Nacional também é contestada, pois poderia comprometer a autonomia do Banco Central e afetar a estabilidade econômica.

Fonte: Política Livre