Eleições geram estresse e ansiedade entre eleitores
Por: Redação
22/10/2026 • 18h00
Os efeitos da disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro geram preocupações e sintomas de estresse em muitos eleitores.
A poucos dias do segundo turno das eleições, Larissa Santos, uma estagiária de psicologia de 29 anos, relata dificuldades para dormir devido à ansiedade relacionada à disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Após o primeiro turno, Flávio obteve 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula ficou com 45,16%, uma diferença de apenas 1,87 ponto percentual. A decisão ocorrerá neste domingo (25), quando os brasileiros escolherão o presidente para os próximos quatro anos.
Além da escolha presidencial, o eleitorado de seis estados — Acre, Amazonas, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Tocantins — e do Distrito Federal também votará para governador. Nas redes sociais, a conversa sobre propostas e programas de governo se mescla a previsões sombrias e ataques entre adversários, criando um ambiente de tensão que muitos chamam de "psicose política", embora o termo não seja reconhecido na terminologia clínica.
Especialistas alertam que a preocupação com o resultado eleitoral não é, por si só, um problema de saúde mental. O risco surge quando esse pensamento se torna obsessivo, causando sofrimento intenso e impactando a vida cotidiana. Arthur Danila, psiquiatra e coordenador de um programa de mudança de hábitos, explica que isso pode se manifestar por meio de insônia, irritabilidade, dores de cabeça e outros sintomas físicos.
Danila aponta que um sinal de alerta é quando a pessoa não consegue mais escolher quando se envolver em questões políticas, permitindo que isso domine seus pensamentos e emoções. No entanto, esses sintomas não indicam automaticamente um transtorno mental; é necessário avaliar a intensidade, duração e o impacto na vida da pessoa.
Para o psiquiatra Marcio Bernik, coordenador do Programa Ansiedade do Instituto de Psiquiatria da USP, o medo gerado pela política pode prejudicar relacionamentos e causar desgaste emocional. Ele observa que a busca por reconhecimento e a reação ao medo são naturais, mas o ambiente das redes sociais pode intensificar a ansiedade e o engajamento em discursos polarizados.
Após a votação, os eleitores podem experimentar uma gama de emoções, como tristeza e frustração. Danila aconselha a não reprimir esses sentimentos, mas sim transformá-los em ações construtivas, ressaltando que a cidadania vai além do ato de votar e inclui participação em políticas públicas e debates democráticos.
Fonte: Política Livre

