Renan Santos muda abordagem e busca diálogo com a esquerda
Por: Redação
08/10/2026 • 15h26
Após sua derrota no primeiro turno, Renan Santos, do MBL, altera seu discurso e tenta interagir com o público de esquerda nas redes sociais.
Renan Santos, líder do Movimento Brasil Livre (MBL) e derrotado na primeira fase das eleições presidenciais, decidiu adotar uma nova estratégia ao abandonar a retórica agressiva e deixar de lado a disputa pelo rótulo de direita. Diante do crescimento de Flávio Bolsonaro (PL) e do partido do senador, Renan começou a interagir com seguidores de esquerda nas redes sociais, ganhando destaque nas plataformas, inclusive com o apoio da cantora Anitta, que compartilhou um vídeo dele.
Em uma live realizada na segunda-feira (5), Renan afirmou: "Não vai ter esse papo de que existe direita não bolsonarista". Na quarta-feira (7), ele reiterou: "Eu não sou Bolsonaro, então como eu posso ser direita?" Em entrevista à Folha, ele destacou sua disposição para dialogar com pessoas de esquerda que estejam abertas a rever posições consideradas extremas, mencionando a importância de um debate saudável.
Renan reconheceu que sua abordagem anterior pode ter exagerado em alguns pontos, como a retórica de confronto, que afastou parte do público. Ele relatou ter recebido mensagens de afeto de seguidores de esquerda e afirmou que não se importa com rótulos, desde que haja respeito nas interações. O aumento de seguidores de esquerda em suas redes sociais já era perceptível na reta final da campanha e, segundo ele, parte desse interesse pode estar ligada a sua estética de campanha e críticas ao ex-presidente dos EUA, Donald Trump.
Recentemente, Anitta começou a segui-lo no Instagram e compartilhou uma de suas postagens, o que levou Renan a brincar sobre a situação durante uma live. Ele mencionou que, apesar das interações com a esquerda, não apoiará nenhum candidato no segundo turno, deixando seus eleitores livres para decidirem seus votos. Renan criticou deputados como Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato, que, segundo ele, desrespeitaram seus apoiadores.
Com 2,24% dos votos válidos, Renan ficou em quarto lugar na eleição. Seus aliados esperavam um desempenho melhor, e Kim Kataguiri havia prometido renunciar caso Renan alcançasse 3%. Agora, Renan considera que suas tentativas de convencer o eleitorado de direita a se distanciar do bolsonarismo estão esgotadas e que ele precisa rever suas alianças políticas. Ele também mencionou um encontro com embaixadores de países árabes em Brasília, onde discutiu a necessidade de um diálogo mais aberto sobre temas controversos.
Essa mudança de postura contrasta com declarações anteriores de Renan e de Kim Kataguiri, que defendiam uma abordagem mais agressiva. O cientista político Marco Antonio Teixeira, da FGV, analisa que essa nova estratégia pode ser uma tentativa de Renan de se posicionar no cenário político, onde a direita liberal parece estar em declínio, e ressalta a importância de dialogar com o centro para evitar o isolamento político.
Fonte: Política Livre

