Planalto rebate decisão dos EUA e rejeita classificação do Brasil como ameaça
Governo brasileiro considera "sem fundamento" a renovação da declaração de emergência dos Estados Unidos, defende a atuação do STF e reafirma a soberania nacional
Por: Redação
30/07/2026 • 09h53
O governo federal reagiu nesta quarta-feira (29) à decisão da Casa Branca de prorrogar por mais um ano a declaração de emergência nacional dos Estados Unidos em relação ao Brasil. Em nota oficial, o Palácio do Planalto classificou como "inteiramente descabida" a caracterização do país como uma ameaça à segurança nacional, à política externa e à economia norte-americana.
O posicionamento foi divulgado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), que repudiou as justificativas apresentadas pelo governo dos Estados Unidos para manter a medida em vigor.
Segundo o documento norte-americano, o Brasil continuaria representando uma ameaça "incomum e extraordinária" aos interesses dos EUA. A declaração também retoma críticas ao tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), apontando suposta perseguição política, restrições à liberdade de expressão e violações de direitos humanos.
Em resposta, o governo brasileiro afirmou que as acusações são "infundadas e inverídicas" e destacou que esses argumentos já foram contestados em reuniões entre autoridades dos dois países.
A nota oficial também reforça que o Poder Judiciário brasileiro atua de forma independente e em conformidade com a Constituição Federal, rechaçando qualquer alegação de perseguição política ou desrespeito ao Estado Democrático de Direito.
A declaração de emergência foi adotada inicialmente em 30 de julho de 2025, mesma data em que o presidente Donald Trump anunciou uma tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros. Na ocasião, tanto a medida tarifária quanto a declaração foram posteriormente consideradas ilegais pela Suprema Corte dos Estados Unidos.
A nova prorrogação ocorre cerca de uma semana após o anúncio de novas tarifas sobre produtos brasileiros pelo governo norte-americano, ampliando as tensões diplomáticas entre os dois países.
Na manifestação oficial, o Palácio do Planalto reiterou que "é inteiramente descabido caracterizar o Brasil como ameaça aos Estados Unidos", ressaltando os históricos laços diplomáticos e a relação de amizade entre as duas nações.

