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Hamilton Assis e Aladilce Souza cobram explicações sobre obra e recursos da Escola do Curralinho

Parlamentares questionam atraso, uso de R$ 12,5 milhões e recontratação de empresa em empreendimento para crianças com TEA

Por: Redação

06/07/202615h06

Foto: Hamilton Assis - Divulgação Assessoria do Vereador| Aladilce Souza - Victor Queirós/CMS

O vereador Professor Hamilton Assis (PSOL) e a vereadora Aladilce Souza (PCdoB) cobraram explicações da Prefeitura de Salvador sobre a situação da Escola Municipal do Curralinho, apontando falta de transparência na condução da obra, que deveria ter sido entregue em 2023.

Após o anúncio da Prefeitura sobre a retomada dos trabalhos, a Secretaria Municipal da Educação informou que uma nova licitação foi homologada e que a obra será reiniciada de forma imediata, com previsão de conclusão em cerca de cinco meses. Para os parlamentares, no entanto, a medida não esclarece os atrasos acumulados nem a aplicação dos recursos já investidos.

Hamilton Assis afirmou que o anúncio não encerra as dúvidas sobre o empreendimento e reforçou a necessidade de maior transparência na gestão do prefeito Bruno Reis e do secretário municipal da Educação, Thiago Dantas.

“Tem duas questões que não foram explicadas pelo município. A primeira é sobre a utilização dos R$ 12,5 milhões destinados ao projeto que não foi finalizado. A segunda é a necessidade real das crianças autistas, sobretudo nas áreas de educação e saúde. Em várias escolas faltam estrutura e profissionais para acompanhar o desenvolvimento desses estudantes”, afirmou.

O vereador também destacou que a retomada da obra não substitui a obrigação de prestação de contas. “A população tem direito de saber por que uma escola considerada prioridade levou anos para ser concluída, por que o contrato foi rescindido e quanto foi efetivamente pago à empresa anterior”, disse.

Ele ainda contestou declarações da gestão municipal sobre suposta exploração política do tema. “Fiscalizar recursos públicos não é exploração política, é dever de quem foi eleito. O problema é o silêncio diante de uma obra atrasada há anos e com recursos milionários envolvidos”, declarou.

Já a vereadora Aladilce Souza esteve no local e afirmou ter constatado que a obra segue paralisada, apesar das declarações da Prefeitura. Em vídeo gravado em frente ao canteiro, ela contestou o prefeito Bruno Reis, que havia classificado denúncias sobre o abandono como “fake news”.

“Não é fake, não, prefeito. Eu vim aqui olhar e estou constatando que a obra está parada”, afirmou. Segundo ela, a unidade foi anunciada como um equipamento voltado ao atendimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), mas ainda não foi concluída.

A parlamentar também questionou a decisão de rescindir o contrato com a empresa responsável e, posteriormente, firmar um novo acordo com a mesma construtora. Para ela, é necessária mais transparência no processo e explicações sobre a condução da obra.

“É preciso transparência. O prefeito precisa explicar o que há por trás de um contrato que foi rescindido com uma empresa e depois a mesma empresa foi recontratada para continuar uma obra que está paralisada”, disse.

Aladilce ainda ressaltou que o empreendimento conta com recursos do Ministério da Educação, por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), e defendeu prestação de contas sobre os atrasos.

Anunciada em 2021, a escola deveria ter sido entregue em 2023. Segundo informações citadas pela vereadora, os investimentos já ultrapassam R$ 12,5 milhões, com custo total estimado acima de R$ 19 milhões, sem que a unidade tenha sido concluída ou colocada em funcionamento.