“Ecofake” e “deboche ambiental”: vereadoras criticam uso de árvores artificiais pela Prefeitura de Salvador no 2 de Julho
Parlamentares de oposição apontam contradição em ações da gestão Bruno Reis e cobram políticas estruturais de arborização urbana na capital baiana
Por: Redação
01/07/2026 • 12h01
A instalação de árvores artificiais pela Prefeitura de Salvador para as comemorações do 2 de Julho gerou críticas de vereadoras da oposição na Câmara Municipal. As parlamentares Aladilce Souza (PCdoB) e Marta Rodrigues (PT) classificaram a iniciativa como simbólica e desconectada das necessidades ambientais da capital baiana, que enfrenta baixos índices de arborização.
Para a vereadora Aladilce Souza, integrante do movimento SOS Áreas Verdes, o uso de estruturas decorativas representa uma política ambiental voltada mais à estética do que a soluções efetivas. Ela afirmou que a cidade precisa de ações estruturais e não de iniciativas de impacto visual. “Essas árvores alegóricas resumem uma gestão que investe na fotografia. Árvore de plástico não produz sombra, não reduz a temperatura e não captura carbono. O prefeito criou a política do ecofake”, declarou.
A parlamentar também criticou o programa dos Corredores Verdes, apresentado pela administração municipal como uma das principais estratégias de ampliação da arborização urbana. Segundo ela, os resultados ainda estão distantes das necessidades reais da população. “Salvador precisa de arborização de verdade, não de marketing ambiental”, afirmou.
Já a vereadora Marta Rodrigues (PT) classificou a decisão como “piada de mau gosto”, “deboche” e “escárnio com a população”. Para ela, a instalação das árvores artificiais contrasta com o histórico ambiental da gestão municipal. “É uma piada de mau gosto. Um deboche com a inteligência da população e com a história da Bahia. Já virou marca dessa gestão derrubar árvores, reduzir áreas verdes e tratar o meio ambiente como um obstáculo”, disse.
Marta também relembrou intervenções urbanas e decisões administrativas que, segundo ela, contribuíram para a redução de áreas verdes na cidade, como a retirada de árvores para implantação do BRT e a venda ou desafetação de terrenos públicos. A vereadora ainda criticou o uso de recursos para estruturas decorativas em vez de investimentos em arborização. “Se tivesse o mesmo empenho para plantar árvores que teve para gastar com enfeites de plástico, Salvador seria uma cidade muito mais verde e preparada para enfrentar as mudanças climáticas”, afirmou.
As críticas ocorrem em meio a dados do Censo 2022 do IBGE que apontam que 65,6% dos moradores de Salvador vivem em ruas sem presença de árvores, colocando a capital baiana entre as menos arborizadas do país.
Para as parlamentares, o cenário reforça a necessidade de políticas públicas mais amplas e estruturais voltadas à ampliação da cobertura vegetal e ao enfrentamento das mudanças climáticas, em vez de ações pontuais com caráter simbólico.
Marta Rodrigues também relacionou o debate ambiental a projetos em tramitação e decisões judiciais envolvendo contratos públicos da área de resíduos sólidos, argumentando que a gestão municipal precisa ampliar a transparência e priorizar políticas ambientais consistentes.
Ao final, as vereadoras defenderam que Salvador adote medidas mais efetivas de arborização urbana e preservação de áreas verdes, ressaltando que a cidade necessita de planejamento ambiental de longo prazo para enfrentar o aumento das temperaturas e melhorar a qualidade de vida da população.

