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Rede estadual de ensino apresenta práticas inovadoras de educação midiática em São Paulo

Experiências envolvem produção de jogos, mídias estudantis e valorização das identidades culturais

Por: Redação

22/05/202609h46

Foto: Divulgação/Arquivo/Ascom SEC

A rede estadual de ensino da Bahia participa, nesta quinta-feira (21), do 4º Encontro Internacional de Educação Midiática, realizado em São Paulo, levando experiências desenvolvidas no Colégio Estadual do Campo Filinto Justiniano Bastos, no município de Seabra, na Chapada Diamantina, e no Instituto Anísio Teixeira (IAT), órgão vinculado à Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC). A programação reúne especialistas, educadores e gestores para discutir inovação pedagógica, educação digital e os desafios da curricularização da educação midiática no país.

Representando o colégio baiano, participam do encontro o professor de Língua Portuguesa Reginaldo Silva Araújo e a diretora Águida Rodrigues. Já o IAT é representado pela diretora de Inovação e Tecnologia, Carla Aragão, que integra debates sobre práticas educacionais voltadas ao pensamento crítico e ao uso responsável das tecnologias digitais.

Durante o painel “Educação midiática para todos – exemplos práticos”, o professor Reginaldo Araújo apresentou o projeto “Games transformadores: unindo mundos étnico-raciais e cidadãos”. A iniciativa foi desenvolvida com estudantes do Ensino Médio e da Educação Profissional e utiliza jogos confeccionados com materiais recicláveis para discutir temas como racismo, fake news, discurso de ódio e convivência digital.

O projeto também promove reflexões sobre o uso consciente das redes sociais, da Inteligência Artificial (IA) e das ferramentas tecnológicas no ambiente escolar, fortalecendo o protagonismo estudantil e a formação cidadã.

A diretora Águida Rodrigues apresentou a experiência do “Café das Origens”, ação pedagógica e cultural criada para valorizar as ancestralidades negras e indígenas dos estudantes das escolas do campo. O projeto reúne literatura, arte, cultura local e estudos sobre a história do café, incentivando o pertencimento e a valorização identitária.

“Seu diferencial é a valorização das manifestações culturais locais em seus diversos aspectos e dar protagonismo aos estudantes. É um projeto que nasceu do olhar crítico para uma atividade pedagógica que estava ‘escondida’ em uma sala de aula”, destacou a gestora.

Segundo Águida Rodrigues, o “Café das Origens” amplia o debate sobre as leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008 ao integrar diferentes projetos e componentes curriculares em um mesmo espaço de aprendizagem.

“Ele reúne no mesmo espaço os saberes tradicionais e o conhecimento acadêmico sem hierarquia, possibilitando o enriquecimento do público e novas possibilidades de estudos”, afirmou.

Reconhecido nacionalmente por ações voltadas à cidadania digital, o Colégio Estadual do Campo Filinto Justiniano Bastos vem acumulando premiações e destaque em iniciativas de educação midiática. Em fevereiro deste ano, o professor Reginaldo Araújo, a estudante Poliana Fraga e a diretora Águida Rodrigues conquistaram o primeiro lugar no Prêmio Cidadania Digital em Ação, promovido pela SaferNet Brasil em parceria com o Governo do Reino Unido, em cerimônia realizada em São Paulo.

Além disso, o professor também alcançou a segunda colocação no 6º Concurso Cultural Jovem Jornalista, promovido pelo jornal A Tarde, como orientador da estudante Deane Mendes. Já a estudante Poliana Fraga ingressou no curso de Jornalismo da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) após participar das ações de educomunicação desenvolvidas pela escola.

A programação do encontro internacional também inclui a participação de Carla Aragão no painel “Desafios da curricularização da educação midiática – do conceito à prática”. Durante a atividade, o IAT apresenta as experiências da SEC na implementação da educação digital e midiática na rede estadual de ensino.

Entre as ações em destaque está o Projeto Agência de Notícias na Escola, criado em 2023 para estimular a produção de conteúdos jornalísticos por estudantes com mediação dos professores. Atualmente, a iniciativa conta com 313 agências implantadas e outras 180 em fase de implementação nos 27 Territórios de Identidade da Bahia.

Segundo Carla Aragão, o trabalho desenvolvido pelo IAT é resultado de uma trajetória consolidada de formação docente e incentivo à produção de mídias estudantis.

“O projeto amplia o protagonismo dos estudantes; fortalece competências, como leitura, pesquisa, argumentação e escrita, e promove novas formas de ensinar e aprender por meio das linguagens multimídia. Esse movimento dialoga diretamente com as transformações curriculares e com a construção do Plano de Educação Digital e Inovação Pedagógica da rede estadual”, ressaltou.

Com o tema “Inteligência Artificial e a curricularização da educação midiática”, o encontro deste ano debate os impactos da Resolução CNE/CEB nº 2/2025, que tornou obrigatória a educação digital e midiática nos currículos da Educação Básica brasileira.