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Presidente da CPI do INSS defende afastamento de ministro do STF em meio a investigação

Senador aponta suspeitas envolvendo troca de mensagens e cobra esclarecimentos sobre uso de telefone funcional da Corte

Por: Redação

17/03/202612h42Atualizado

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS, afirmou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deveria ser afastado do cargo enquanto durarem as investigações sobre sua suposta ligação com o caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A declaração foi feita durante entrevista ao programa Roda Viva, exibido na segunda-feira (16). Segundo Viana, “em qualquer país sério do mundo”, um magistrado em situação semelhante seria temporariamente retirado da função até o esclarecimento dos fatos.

O parlamentar baseia sua posição em informações de que um número de telefone funcional do STF teria sido utilizado para troca de mensagens com Vorcaro no dia de sua primeira prisão, em 17 de novembro de 2025. Nos diálogos, o ex-banqueiro mencionaria tentativas de evitar medidas judiciais contra si, incluindo uma possível operação policial.

Viana afirmou que cabe ao STF esclarecer quem utilizava a linha telefônica na data em questão. Ele também criticou a atuação de Moraes, alegando que o ministro teria extrapolado limites constitucionais em decisões anteriores.

Por sua vez, Moraes negou ter recebido as mensagens relacionadas à tentativa de impedir a operação, mas não descartou a possibilidade de ter mantido outros contatos com Vorcaro no mesmo dia.

A apuração da CPI sofreu um revés após decisão do ministro André Mendonça, que determinou o bloqueio do acesso a documentos provenientes da quebra de sigilo do ex-banqueiro. A medida interrompeu a análise de dados que poderiam embasar um pedido formal de esclarecimento ao STF.

Apesar disso, Viana classificou a decisão como “coerente” e afirmou que a comissão avaliará novos caminhos para dar continuidade às investigações. A chamada “sala cofre”, onde os dados estavam armazenados, foi lacrada na noite de segunda-feira.

Documentos obtidos pela CPI indicam ainda que Vorcaro mantinha contatos com diversos políticos, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Viana confirmou que seu nome aparece na agenda do ex-banqueiro, mas negou qualquer relação direta.

O senador também afirmou que pretende convocar Vorcaro para depor e defendeu a possibilidade de um acordo de delação premiada, que poderia revelar outros envolvidos no escândalo do Banco Master. Além disso, a CPI pretende ouvir o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o atual dirigente da instituição, Gabriel Galípolo, em uma tentativa de evitar a politização das investigações.

A comissão já aprovou a convocação de outras pessoas ligadas ao caso, incluindo a empresária Martha Graeff e ex-integrantes da diretoria do banco, suspeitos de participação em fraudes financeiras. As investigações seguem em andamento, em meio a tensões entre o Legislativo e o Judiciário, e devem ganhar novos desdobramentos nos próximos dias.