Prefeitura de Salvador turbina contrato milionário e adiciona quase R$ 750 mil sem detalhar contrapartidas
Aditivo eleva para R$ 15,6 milhões contrato de manutenção de áreas verdes, enquanto gestão municipal evita explicar impacto real do aumento
Por: Redação
09/02/2026 • 09h20
A Prefeitura de Salvador autorizou um novo aditivo financeiro que inflou em R$ 746.943,56 um contrato já milionário firmado entre a Secretaria Municipal de Manutenção da Cidade (Seman) e a empresa Eco Irrigação e Jardim Ltda. O reajuste, publicado no Diário Oficial do Município, eleva o valor global do contrato para expressivos R$ 15.688.697,24.
O acréscimo corresponde a 5% do valor vigente e foi concedido sem qualquer alteração nos preços unitários do contrato e, principalmente, sem a apresentação pública de novas metas, ampliação comprovada dos serviços ou justificativas técnicas detalhadas que expliquem a necessidade do aumento.
Na prática, o contrato prevê a execução contínua de serviços de engenharia agronômica, como conservação de áreas verdes, poda, supressão, remoção e transplante de árvores, além do destocamento de raízes e tocos em vias públicas e em áreas ocupadas por população de baixa renda. No entanto, a Prefeitura não informou quais regiões adicionais serão atendidas nem quais melhorias efetivas a população pode esperar após o reajuste.
O novo aditivo levanta questionamentos sobre a gestão dos recursos públicos, especialmente em um cenário em que Salvador enfrenta problemas recorrentes em áreas essenciais, como saúde, mobilidade urbana e infraestrutura básica. Para especialistas em administração pública, embora a legislação permita aditivos dentro de limites percentuais, a recorrência desse tipo de prática em contratos de alto valor exige transparência rigorosa e fiscalização permanente.
Até o momento, a administração municipal não apresentou relatórios públicos que comprovem a execução integral dos serviços contratados nem esclareceu os critérios utilizados para autorizar o aumento. O silêncio da gestão reforça críticas sobre a falta de controle social e sobre a real prioridade dada ao uso do dinheiro do contribuinte.

