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O futuro é verde e estratégico: a nova fronteira da Advocacia Ambiental

Por: Natálya Assunção

02/02/202614h37

Foto: Arquivo Pessoal

 

Natálya Assunção - Advogada com mais de 14 anos de experiência, especializada em Direito Empresarial, Cível e, principalmente, Direito Ambiental. Possui pós-graduação em Direito Ambiental e Urbanístico pela PUC Minas e atuação consolidada na consultoria e assessoria jurídica nas áreas empresarial e ambiental. Membro da Comissão Estadual de Direito Ambiental da OAB/ES. Membro Consultora da Comissão Nacional do CFOAB. Juíza do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/ES. Coordenadora e Professora do Curso de Direito da Doctum Serra.

 

Mais do que conformidade, o Direito Ambiental moderno é o alicerce para a segurança jurídica e a perenidade dos negócios.

Durante muito tempo, a atuação jurídica na área ambiental era vista apenas como gestão de crises ou barreira burocrática ao crescimento econômico. Hoje, vivemos um momento de transição profunda.

A advocacia ambiental contemporânea rompeu essa visão limitada para se tornar uma bússola estratégica dentro das organizações. Compreender e aplicar as normas de preservação deixou de ser um entrave; é o caminho mais seguro, e muitas vezes o único viável para a inovação e o desenvolvimento sustentável.

O perfil do advogado ambiental exige ir além do contencioso tradicional. Enquanto antes o foco era a defesa após a infração, hoje prevalecem compliance e governança. O mercado não tolera improvisos; ele demanda planejamento, estratégia e ação coordenada.

Atuar como advogado ambiental nos tempos atuais significa:

  • Antecipação de riscos: Identificar gargalos em licenciamentos antes que se tornem passivos financeiros.

  • Valor agregado: Transformar o respeito às normas ambientais em diferencial competitivo que atrai investidores e parceiros globais.

  • Segurança institucional: Construir pontes entre o setor produtivo e os órgãos reguladores, garantindo que o progresso respeite limites éticos e biológicos.

Essa mudança de paradigma mostra que a sustentabilidade deixou de ser um conceito abstrato para se tornar uma moeda de confiança no mercado.

A nova geração de advogados deve traduzir a complexidade normativa em soluções viáveis. Não se trata apenas de aplicar a lei seca, mas de integrar critérios ESG (Ambiental, Social e Governança) na cultura das empresas.

O profissional moderno precisa tratar o Direito como ferramenta dentro da multidisciplinaridade exigida por grandes empreendimentos. É essencial dialogar com engenheiros, biólogos, geólogos e gestores, interpretando relatórios técnicos e transformando o que antes era visto como “custo ambiental” em investimento de longo prazo e reputação.

O Direito Ambiental, sob essa ótica, também é instrumento de justiça social e equilíbrio. Advogar pelo verde não é uma escolha de nicho; é uma escolha de futuro. No Brasil, com sua biodiversidade e potencial, a advocacia ambiental permite ao empreendedorismo prosperar sem comprometer gerações futuras.

Quando protegemos o ecossistema e garantimos a legalidade dos processos, estamos protegendo a própria viabilidade da vida e dos negócios. O Direito Ambiental é, em última análise, a advocacia da resiliência e da esperança.