Prefeitura de Salvador entrega 1,5 km da orla de Jaguaribe por 30 anos a grupo privado
Gestão Bruno Reis concede trecho estratégico do litoral ao empresário conhecido como “Rei da Praia”, ampliando a concentração de concessões na capital baiana
Por: Redação
03/02/2026 • 17h01
A Prefeitura de Salvador, sob a gestão do prefeito Bruno Reis (União Brasil), homologou a concessão de um dos trechos mais valorizados do litoral da cidade a uma empresa privada pelo prazo de 30 anos. A área concedida corresponde a 1,5 quilômetro da chamada Nova Orla, na praia de Jaguaribe, incluindo dez quiosques e até 34 barracas de praia.
A homologação do certame foi realizada pela Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) no último dia 26 de janeiro, conforme documentos obtidos pelo site Bahia Notícias. O valor estipulado para a administração do espaço é de R$ 350 mil mensais, o que representa R$ 233,34 por metro de orla por mês, valor que levanta questionamentos sobre a precificação de um patrimônio público estratégico.
A vencedora da licitação foi a empresa Orla Salvador, integrante da holding Orla Brasil, que já administra outros trechos da orla da capital, como Boca do Rio, Praia dos Artistas, Pituaçu e Patamares. Com a nova concessão, o grupo passa a controlar cerca de 3,5 quilômetros da orla de Salvador, ampliando sua atuação em áreas de alto interesse turístico e comercial.
O processo licitatório foi aberto em novembro de 2024 e prevê uma concessão de longo prazo, conforme publicação no Diário Oficial do Município. Especialistas e representantes de movimentos sociais criticam o modelo adotado, apontando riscos de concentração econômica, restrição do uso público da orla e impactos sobre pequenos comerciantes e trabalhadores tradicionais das praias.
Segundo o Bahia Notícias, a Orla Brasil tem como proprietário o empresário João Marcello Barreto, conhecido como o “Rei da Praia” no Rio de Janeiro, onde administra centenas de quiosques ao longo da orla carioca. A expansão do grupo em Salvador reacende o debate sobre a privatização de espaços públicos e a falta de contrapartidas sociais claramente divulgadas pela gestão municipal.
Até o momento, a Prefeitura de Salvador não apresentou detalhes sobre eventuais exigências sociais, ambientais ou trabalhistas previstas no contrato de concessão.

