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Prédio de luxo ligado a Félix Mendonça entra no radar da Polícia Federal

O edifício Mansão Wildberger, no Corredor da Vitória, foi alvo da Operação Overclean

Por: Redação

14/01/202610h11Atualizado

Foto: Divulgação/Polícia Federal

Um dos endereços mais exclusivos de Salvador passou a integrar o noticiário nacional nesta terça-feira (13). O edifício Mansão Wildberger, localizado no Corredor da Vitória, foi alvo de diligências da nona fase da Operação Overclean, deflagrada pela Polícia Federal para investigar um esquema de desvios de recursos públicos envolvendo emendas parlamentares.

O prédio de alto luxo entrou no foco da operação após a revelação de que o deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT), principal alvo da ação, figura como representante legal da incorporadora responsável pela construção do empreendimento. A MRM Construtora e Incorporadora foi fundada em 1980 pelo pai do parlamentar, o ex-deputado Félix Mendonça, morto em 2020, e permanece sob controle da família.

Atualmente, a empresa tem como sócios o próprio Félix Mendonça Júnior, seu filho Rafael de Mendonça, além da irmã e da sobrinha do deputado, Cristiana Mendonça e Natassia de Mendonça Sarti. A composição societária reforça os vínculos diretos entre o parlamentar investigado e o empreendimento que se tornou alvo da Polícia Federal.

Félix Mendonça Júnior é morador do condomínio e teve seu apartamento vistoriado por agentes da PF, que cumpriam mandados de busca e apreensão. Segundo as investigações, o deputado é acusado de participação ativa no esquema de desvio de emendas parlamentares, além de supostamente ter se beneficiado de pagamentos de propina, acusações que colocam sob suspeita não apenas sua atuação política, mas também a origem de parte de seu patrimônio.

O Mansão Wildberger abriga cerca de 40 apartamentos, avaliados em até R$ 50 milhões cada. As unidades têm, em média, 1.000 metros quadrados, cinco suítes, incluindo uma suíte master e vista privilegiada para a Baía de Todos-os-Santos. Entre os moradores estão nomes conhecidos do público, como o cantor Bell Marques e o jogador de futebol Everton Ribeiro, que não são alvos da investigação.

O contraste entre o luxo extremo do empreendimento e as suspeitas de uso irregular de dinheiro público acentua o impacto político da operação. O edifício conta ainda com píer privativo para lanchas, teleférico de acesso ao mar, adega climatizada, restaurante exclusivo, praça integrada e salão de festas. Os seis últimos andares do prédio são frequentemente citados como referências da engenharia baiana e já receberam prêmios do setor.

A inclusão do Mansão Wildberger no escopo da Operação Overclean amplia o alcance simbólico da investigação e reforça o foco da Polícia Federal em rastrear possíveis conexões entre mandatos parlamentares, empresas familiares e patrimônio de alto padrão, em um caso que promete aprofundar o debate sobre corrupção, enriquecimento e uso político de recursos públicos.