Popularidade em baixa e vaias nas ruas pressionam Bruno Reis
Prefeito acumula episódios de rejeição em eventos tradicionais de Salvador e enfrenta pior momento de avaliação no segundo mandato
Por: Redação
19/02/2026 • 10h39
O segundo mandato do prefeito de Salvador, Bruno Reis, continua sob o peso de um desgaste que já não pode ser tratado como episódio isolado. Em menos de um ano, o gestor foi vaiado em três dos principais eventos populares e simbólicos da capital baiana, o Independência da Bahia (2 de Julho), a Lavagem do Bonfim e o Carnaval de Salvador, ampliando a percepção de perda de apoio nas ruas e fragilizando sua base política.
No 2 de Julho do ano passado, data máxima do calendário cívico baiano, Bruno foi alvo de vaias durante a cerimônia oficial. À época, declarou não ter ouvido as manifestações. Meses depois, na tradicional Lavagem do Bonfim, voltou a enfrentar reação negativa ao ter o nome anunciado. O constrangimento se repetiu no Carnaval deste ano: após a passagem da pipoca de Saulo Fernandes pelo Campo Grande, o prefeito foi vaiado novamente quando citado pelo locutor, desta vez, em um ambiente sem organização prévia de protesto, o que reforçou a leitura de insatisfação espontânea.
Os episódios públicos ganharam repercussão política e se somaram a um dado ainda mais sensível: a queda nas pesquisas de avaliação. Dois levantamentos divulgados este ano apontaram recuo acentuado na aprovação do prefeito, sendo que o mais recente o posiciona entre os gestores com pior avaliação entre as capitais brasileiras. O contraste é significativo para quem iniciou a trajetória à frente do Palácio Thomé de Souza com índices confortáveis e discurso de continuidade administrativa.
Vaias em eventos populares, por si só, não definem cenários eleitorais, mas funcionam como termômetro simbólico do humor social. Quando se tornam recorrentes e coincidem com indicadores negativos em pesquisas, passam a sinalizar um problema estrutural de comunicação, entrega ou percepção pública.
O cenário acende alerta sobre o impacto da reprovação no fim do mandato, especialmente diante de projetos políticos futuros. A história recente da capital oferece um precedente incômodo: em 2012, João Henrique deixou a prefeitura sob forte desgaste e, desde então, não conseguiu retornar a um cargo eletivo em Salvador. A lembrança serve como advertência sobre como a avaliação final de uma gestão pode redefinir trajetórias.
Internamente, aliados reconhecem a necessidade de recalibrar estratégias, fortalecer a presença territorial e revisar prioridades administrativas. O desafio, no entanto, é conter a erosão antes que ela se consolide como narrativa dominante.
Entre o barulho das vaias e os números das pesquisas, o segundo mandato de Bruno Reis enfrenta seu teste mais delicado: reconectar-se com a rua para evitar que o desgaste político se transforme em marca definitiva de sua gestão.

