Caos na alimentação de ambulantes expõe improviso da Prefeitura no Carnaval
Após atrasos e denúncias sobre qualidade das refeições, prefeito Bruno Reis admite falhas e promete correções emergenciais
Por: Redação
13/02/2026 • 16h26
A promessa de suporte digno aos trabalhadores credenciados para o Carnaval de Salvador esbarrou, logo no primeiro dia oficial da festa, em atrasos, reclamações e denúncias sobre a qualidade das refeições distribuídas pela Prefeitura.
Ambulantes que dependem da alimentação fornecida pelo município para enfrentar longas jornadas relataram demora na entrega e dificuldades para acessar os pontos de distribuição dentro do circuito.
O prefeito Bruno Reis (União Brasil) reconheceu publicamente os problemas nesta sexta-feira (13), atribuindo as falhas principalmente a entraves logísticos e ao intenso fluxo de veículos na cidade durante o período festivo.
“A cidade está cheia, muito trânsito, e hoje a gente já corrigiu, botamos batedores da Transalvador. A refeição tem que ser servida até 13h, porque tem um tempo para ser consumida”, declarou.
Segundo o gestor, a meta é distribuir cerca de 7 mil refeições diárias aos ambulantes credenciados que atuam no Salvador durante o Carnaval. Ele afirmou que os atrasos ocorreram devido à dificuldade de acesso aos circuitos da festa e a “questões operacionais”.
Apesar do reconhecimento, trabalhadores ouvidos pela reportagem apontam que os problemas vão além da logística. Alguns relataram que aguardaram por horas sob o sol, enquanto outros afirmaram que a comida chegou fria ou em quantidade insuficiente.
Para muitos, a alimentação oferecida pela prefeitura é essencial para garantir condições mínimas de trabalho em jornadas que podem ultrapassar 12 horas.
O prefeito informou ainda que um dos sete pontos de fornecimento passou a produzir as refeições dentro do próprio circuito, numa tentativa de reduzir o impacto do trânsito e agilizar a entrega.
A medida, no entanto, foi adotada apenas após as reclamações ganharem repercussão.
Especialistas em gestão pública ouvidos pela reportagem avaliam que falhas dessa natureza evidenciam deficiência no planejamento prévio de um evento cuja complexidade e volume de público são conhecidos com antecedência.
O Carnaval de Salvador é considerado um dos maiores do mundo, movimentando milhões de foliões e exigindo operação logística de grande porte, especialmente no apoio a trabalhadores informais que garantem parte significativa da dinâmica econômica da festa.
Enquanto a prefeitura promete ajustes imediatos, ambulantes cobram mais do que correções pontuais: pedem previsibilidade, organização e respeito.
Para quem depende da venda diária para sustentar a família, cada hora de atraso representa prejuízo direto, e evidencia que, por trás do brilho dos trios elétricos, ainda há gargalos estruturais que insistem em desafinar a gestão pública.

