Polícia Federal cobra agilidade em nova delação de Vorcaro
Mendonça avalia limitar prazo para acordo do dono do Banco Master
Por: Redação
29/05/2026 • 10h01 • Atualizado
A Polícia Federal defende que a nova proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, seja apresentada em prazo mais curto do que o concedido na primeira negociação, rejeitada pela corporação no último dia 20. A defesa do empresário teria solicitado três semanas para formular os novos termos da colaboração.
O pedido da PF foi encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça por meio de ofício enviado no início desta semana. No documento, a corporação solicita que haja um limite para o chamado “regime excepcional” concedido ao ex-banqueiro durante o período de negociação.
A medida envolve a permanência de Vorcaro em uma cela especial na superintendência da Polícia Federal em Brasília, condição autorizada por Mendonça para facilitar o contato do investigado com seus advogados e permitir a elaboração da proposta de colaboração.
Antes de decidir sobre o tema, o ministro aguarda manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que analisa o pedido.
A legislação brasileira não estabelece prazo específico para negociações de acordos de colaboração premiada, consideradas um direito do investigado. Para avançar nas tratativas, Vorcaro precisará assinar um novo acordo de confidencialidade, etapa inicial antes da formalização da proposta.
Mesmo com a reabertura das conversas, integrantes da PF e do STF demonstram reservas quanto à viabilidade da delação. Nos bastidores, a avaliação é de que as operações da investigação Compliance Zero já reuniram elementos suficientes para dar continuidade ao caso sem depender necessariamente de uma colaboração do empresário.
Investigadores apontam que Vorcaro não teria admitido nem mesmo fatos identificados em aparelhos celulares apreendidos durante as fases da operação. Também pesa contra ele a percepção de que não teria agido de boa-fé nas negociações anteriores.
Segundo fontes ligadas às investigações, o empresário teria tentado justificar condutas investigadas, enquanto as regras da delação premiada exigem reconhecimento integral dos crimes praticados e das informações de conhecimento do colaborador.
Vorcaro está preso preventivamente desde o último dia 22 na mesma ala especial onde preparava sua primeira proposta de colaboração. O espaço já foi utilizado anteriormente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente em prisão domiciliar por razões de saúde.
Ao autorizar a transferência para a cela especial, Mendonça considerou parecer da PGR que alertava para o risco de o empresário usar o convívio em cela comum para obter informações de outros investigados envolvidos no caso.
Na decisão, o ministro também destacou que as celas comuns da superintendência costumam ser destinadas a detenções de curta duração e caráter transitório, cenário que não se aplicaria à situação de Vorcaro, preso sem previsão de soltura.
Antes da transferência, o empresário estava em uma cela comum da PF, para onde foi levado após a corporação concluir que a primeira proposta de delação não apresentava fatos novos relevantes nem valores suficientes para reparação dos prejuízos investigados.
A defesa de Vorcaro chegou a reclamar ao STF das condições do local, citando problemas de abastecimento de água, iluminação inadequada e falta de ventilação.
A Polícia Federal e a PGR buscam que o empresário devolva cerca de R$ 60 bilhões supostamente desviados em fraudes relacionadas ao Banco Master. Até o momento, os prejuízos estimados decorrentes da quebra da instituição ultrapassam R$ 57 bilhões, segundo dados divulgados pelas autoridades.
Considerado pelos investigadores como líder do esquema sob apuração, Vorcaro enfrenta exigências mais rígidas nas negociações para eventual acordo de colaboração.

