Rogério Marinho propõe voto aberto para senadores de direita na eleição do Senado
Por: Redação
02/11/2026 • 14h01
Rogério Marinho defende que senadores da direita tornem seus votos públicos na eleição para a presidência do Senado, marcada para 1º de fevereiro de 2027.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, anunciou que irá propor que os senadores alinhados à direita divulguem seus votos na eleição para a presidência da Casa, agendada para 1º de fevereiro de 2027. A estratégia visa evitar que integrantes do grupo votem em segredo a favor da reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Marinho destacou que justificar um voto em Alcolumbre publicamente é complicado e pretende assegurar que os votos dos senadores de direita sejam direcionados para uma candidatura de oposição. Além de Marinho, a senadora Tereza Cristina (PP) também manifestou interesse em concorrer ao cargo.
A votação é secreta, o que favorece Alcolumbre, que confia que o sigilo permitirá a ele conquistar apoio entre alguns senadores da direita. Os membros do PL se reunirão na próxima quarta-feira (4) para discutir uma estratégia contra Alcolumbre e, possivelmente, lançar a candidatura de Marinho.
Dentro do PL, há divisões sobre a abordagem a ser adotada. Um grupo sugere que se deve abrir negociações com o atual presidente do Senado após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), enquanto outro acredita que há votos suficientes para desafiá-lo diretamente.
A direita no Senado cresceu e deverá contar com 29 senadores do PL e três do partido Novo, além de 15 de siglas como Republicanos, PP, Podemos e PSDB, totalizando uma base forte. Para eleger o presidente do Senado, são necessários 41 votos entre os 81 senadores.
Atualmente, tanto Alcolumbre quanto Marinho afirmam ter 48 votos, embora isso signifique que algumas contagens incluam os mesmos senadores. Alcolumbre tem uma rede de relacionamentos e favores com parlamentares, o que pode influenciar o apoio que receberá.
Bolsonaristas acreditam que um voto aberto poderia prevenir traições e garantir a vitória. Os senadores eleitos pela direita se posicionaram contra o STF (Supremo Tribunal Federal), enquanto Alcolumbre tem se mostrado contrário ao impeachment de ministros, o que o tornou alvo de críticas.
Na eleição de 2019, Alcolumbre também tentou implementar um voto aberto, mas sua manobra foi barrada pelo STF. Mesmo assim, alguns senadores declararam seus votos publicamente. No momento, os aliados de Alcolumbre enfrentam dificuldades semelhantes, uma vez que é complicado declarar apoio ao atual presidente do Senado devido à pressão popular.
Recentemente, a federação formada pelo União Brasil e PP lançou a candidatura de Alcolumbre à reeleição, mas a maioria dos senadores desses partidos ainda não se manifestou. Alguns críticos, como Tereza Cristina e Guilherme Derrite (PP-SP), expressaram descontentamento nas redes sociais.
No último pleito, Marinho foi derrotado por Rodrigo Pacheco (PSB-MG), que obteve 49 votos contra 32. Após essa derrota, o PL ficou sem a presidência de comissões importantes e sem assentos na mesa diretora por dois anos. Embora tenha apoiado Alcolumbre em 2025 em troca de cargos relevantes, os bolsonaristas o acusam de favorecer o governo Lula (PT) em sua gestão.
Uma das principais críticas dos opositores a Alcolumbre é sua resistência em abrir impeachment de ministros do Supremo, que se tornou uma bandeira importante para a direita. Durante a campanha, Alcolumbre também ajudou Lula ao colocar em votação uma PEC que alterou a jornada de trabalho, favorecendo o petista no segundo turno.
Fonte: Política Livre

