Relatório da PF revela ligação de Jaques Wagner com 'emenda Master' no Senado
Por: Redação
12/09/2026 • 18h00
A Polícia Federal investiga a atuação do senador Jaques Wagner em favor do Banco Master em troca de benefícios.
A Polícia Federal (PF) divulgou um relatório que aponta o envolvimento do senador Jaques Wagner (PT-BA) em questões relacionadas ao Banco Master durante seu tempo como líder do governo no Senado. A divulgação ocorreu após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidir levantar o sigilo da investigação, na noite de sexta-feira, 11.
O documento revela que Wagner manteve conversas com o empresário Augusto Lima, sócio de Daniel Vorcaro, que indicam que ele teve participação na chamada "emenda Master". Essa emenda, proposta pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), alterava a autonomia financeira do Banco Central e aumentava a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por pessoa física.
Seis dias antes da emenda ser incluída, o publicitário Guilherme Sodré, amigo e pai do enteado de Wagner, contatou Vorcaro para discutir um "tema importante" e pediu que mantivesse o assunto em sigilo. Após essa comunicação, foi informado que o chefe de gabinete do senador entraria em contato para organizar um encontro em Brasília. No dia que a emenda foi apresentada, em 13 de agosto de 2024, Lima e Wagner tiveram uma conversa telefônica de quase dez minutos, e o empresário enviou ao senador o link da proposta logo após a ligação.
O relatório também destaca um padrão de trocas de mensagens entre Lima e Wagner sobre assuntos de interesse do Banco Master. Em uma mensagem enviada em 29 de março de 2025, Lima falou a Wagner sobre a venda do Banco Master ao BRB, afirmando que o senador estava ciente da história do banco e de sua trajetória. Isso sugere que Wagner não era apenas um receptor passivo de informações, mas um parceiro ativo nas operações do banco.
Além disso, a PF menciona que o senador pode ter recebido vantagens indevidas de membros da cúpula do Banco Master. Entre os benefícios citados estão o uso gratuito de aeronaves ligadas a Lima e ao banco, ingressos para shows para o senador e sua família, a mediação na compra de um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador, e repasses que somam pelo menos R$ 3,5 milhões à BN Financeira, empresa associada à família do parlamentar.
Fonte: Política Livre

