Expectativas de inflação aumentam após reeleição de Lula
Por: Redação
31/10/2026 • 18h29
Após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, analistas do mercado elevaram suas previsões de inflação para os próximos anos.
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno provocou um aumento nas expectativas de inflação de analistas de mercado, conforme pesquisa da corretora BGC Liquidez com aproximadamente 30 participantes. A mediana das projeções indica que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) deve chegar a 5,3% em 2027 e 4,3% em 2028, superando as expectativas anteriores, que eram de 4,34% e 3,75%, respectivamente.
A meta de inflação estabelecida é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. A pesquisa da BGC, que costuma antecipar as expectativas em relação à pesquisa Focus do Banco Central, foi realizada após as eleições, e a próxima divulgação pelo BC está prevista para terça-feira (3).
Carlos Thadeu, economista responsável pela pesquisa, atribui o aumento das expectativas à falta de uma âncora fiscal e à previsão de maior gasto do governo Lula, além da valorização do dólar, que subiu de R$ 4,99 para R$ 5,44. Ele destaca que 11% dos entrevistados acreditam que a inflação pode ultrapassar 6% até dezembro de 2024.
A pressão sobre a inflação projetada, segundo Thadeu, provém principalmente dos preços administrados, que são influenciados pelos combustíveis. Com a desvalorização do real, os preços dos combustíveis devem aumentar, uma vez que o Brasil importa 30% do diesel utilizado no país.
Thadeu também menciona a alteração na jornada de trabalho como um fator que pode pressionar a inflação, ao indicar que a mudança da escala 5x2 para 6x1 exigiria um aumento de pelo menos 10% na mão de obra.
Ainda há preocupações com o cenário fiscal do Brasil, que requer um ajuste de pelo menos R$ 250 bilhões nos próximos quatro anos, enquanto a dívida bruta chega a quase 83% do PIB. O governo Lula projeta um déficit de R$ 67,3 bilhões para este ano, o que deve elevar ainda mais a dívida.
Com a situação fiscal instável, Thadeu acredita que o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) não terá espaço para reduzir a taxa básica de juros (Selic) na próxima reunião, agendada para quarta-feira (4). Atualmente, a Selic está em 13,75% ao ano, e as expectativas de corte de juros diminuíram, com a curva de juros futuros indicando apenas 20% de chance de uma redução de 0,25 ponto percentual.
Fonte: Política Livre

