Estudo revela baixa incidência de discurso político nas igrejas brasileiras
Por: Redação
11/10/2026 • 08h46
Uma pesquisa analisou cultos e missas e encontrou apenas 3,2% de propaganda eleitoral, desafiando a ideia do 'voto de cajado'.
Uma pesquisa realizada pela More in Common Brasil, em parceria com o grupo de pesquisa Passagens da UFRJ, avaliou a presença de discursos políticos em cultos religiosos no Brasil. O levantamento abrangeu 7.456 missas e cultos em 25 estados e no Distrito Federal, nos dois domingos que antecederam o primeiro turno das eleições.
Os pesquisadores monitoraram 1.785 templos católicos, além de 3.596 cultos batistas e 2.075 da Assembleia de Deus. O objetivo era verificar a quantidade de discursos políticos emitidos durante esses encontros. O resultado foi surpreendente: apenas 237 transmissões, ou seja, 3,2% do total, continham propaganda eleitoral, que é definida como qualquer prática que promova ou critique uma candidatura.
Em contraste, 1.141 conteúdos (15,3%) foram identificados como cívicos, abordando temas como a polarização política e a importância do voto consciente, sem indicar candidatos específicos. Um exemplo foi um pastor em Niterói (RJ), que pediu um "voto com responsabilidade" sem se vincular a um candidato.
A pesquisa revelou que a maioria das 13.886 horas analisadas não mencionou as eleições. Os canais de YouTube estudados variavam em tamanho, desde grandes igrejas com centenas de milhares de inscritos até pequenas congregações.
Pablo Ortellado, professor da USP, destacou que a ideia do "voto de cajado" é uma generalização exagerada. Ele apontou que, embora algumas igrejas pentecostais incentivem o voto, isso não representa a realidade de todas as denominações. A pesquisa também constatou que a propaganda eleitoral estava presente em apenas 0,7% das missas católicas, 1,4% nos cultos batistas e 8,3% nas Assembleias de Deus.
O antropólogo Rodrigo Toniol, da UFRJ, observou que a comunicação política pode ocorrer por outros meios, como conversas informais e grupos de WhatsApp. Ele também ressaltou que, mesmo em cultos com forte apelo político, a ênfase frequentemente recai sobre a soberania divina, sugerindo que, embora a política seja importante, ela não deve ofuscar valores espirituais.
Fonte: Política Livre

