Operação integrada do MP-BA, SEAP, SSP-BA e Polícia Civil prende oito advogados suspeitos de favorecer facções criminosas
Ação conjunta cumpre mandados em seis municípios baianos e investiga a atuação de advogados suspeitos de favorecer organizações criminosas dentro do sistema prisional
Por: Redação
03/07/2026 • 10h28
Uma força-tarefa formada pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), Secretaria da Segurança Pública (SSP) e Polícia Civil da Bahia deflagrou, na manhã desta sexta-feira (3), a Operação Sintonia de Gravata, voltada ao combate de facções criminosas com atuação dentro e fora do sistema prisional.
Ao todo, foram cumpridos 22 mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Eunápolis. As diligências ocorreram nos municípios de Salvador, Camaçari, Lauro de Freitas, Serrinha, Barreiras e Feira de Santana.
Segundo as investigações, as organizações criminosas atuavam no tráfico de drogas, aquisição, posse, guarda e circulação de armas de fogo, além de manter um esquema estruturado de comunicação entre líderes presos em unidade de segurança máxima e integrantes que permaneciam em liberdade.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram apreendidos notebooks, celulares e diversos documentos que poderão auxiliar no aprofundamento das investigações e na identificação de outros possíveis envolvidos.
A Justiça também determinou o bloqueio de bens e ativos financeiros dos investigados, com indisponibilidade de recursos de até R$ 10 milhões, além do sequestro de veículos, imóveis, embarcações e aeronaves, medida que busca interromper a movimentação de recursos ligados às atividades criminosas.
De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), as investigações revelaram a existência de uma estrutura hierarquizada que permitia às lideranças das facções continuar comandando atividades ilícitas mesmo estando presas. O esquema utilizava um núcleo externo para transmitir ordens relacionadas ao tráfico de drogas, compra de armas, movimentação financeira e resolução de conflitos internos das organizações.
As apurações também identificaram a participação de advogados que, segundo o Ministério Público, teriam utilizado indevidamente as prerrogativas da profissão para burlar o regime de isolamento imposto a detentos em presídio de segurança máxima. Os profissionais são investigados por atuar como intermediários na transmissão de mensagens entre os líderes encarcerados e integrantes das facções em liberdade, garantindo a continuidade das atividades criminosas.
Mais de 100 profissionais participaram da operação, entre promotores de Justiça, servidores do MPBA, policiais do Gaeco, equipes do Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), do Departamento de Polícia do Interior (Depin), além de agentes da Seap e da SSP.
A Operação Sintonia de Gravata integra uma mobilização nacional coordenada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), iniciativa do Ministério Público brasileiro que reúne forças de segurança de diversos estados para intensificar o enfrentamento às facções criminosas em todo o país.

