Operação do MPBA apura desvio de R$ 1,1 milhão destinados a blocos carnavalescos e eventos LGBTI+ em Salvador
Investigação aponta fraudes em licitações, uso de associação de fachada e afastamento de servidores municipais e dirigentes de entidade
Por: Redação
26/05/2026 • 09h38 • Atualizado
O Ministério Público da Bahia (MPBA) deflagrou, na manhã desta terça-feira (26), a Operação Sponsor, que investiga crimes de peculato, fraudes em processos licitatórios e desvios de recursos públicos destinados a entidades carnavalescas e organizadores de eventos voltados à comunidade LGBTI+ em Salvador.
Durante a operação, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em um órgão público, uma associação e imóveis ligados a cinco investigados, entre eles servidores municipais. A Justiça também determinou o afastamento do presidente e do diretor-geral da associação investigada, além de duas servidoras da Prefeitura de Salvador.
Entre os alvos da investigação está a ex-vereadora Leo Kret, que foi afastada do cargo de diretora-geral de Políticas e Promoção da Cidadania LGBT+ da Secretaria Municipal da Reparação.
A operação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e Investigações Criminais (Gaeco) e pela Promotoria de Justiça de Proteção da Moralidade Administrativa, com apoio da Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos das Pessoas LGBTI+, da Central de Assessoramento Técnico Interdisciplinar (Cati) e da Polícia Militar, por meio do Comando de Policiamento de Apoio Operacional (CPAp).
Segundo o MPBA, as investigações apontam que recursos públicos destinados ao patrocínio de eventos carnavalescos e ações voltadas à comunidade LGBTI+ teriam sido desviados por meio de uma associação de fachada. Conforme os promotores, a entidade recebeu mais de R$ 1,1 milhão do Município de Salvador, sendo que parte dos valores teria beneficiado integrantes da própria associação.
Os recursos deveriam ser utilizados na realização de eventos em 57 bairros da capital baiana, além do apoio a 18 blocos carnavalescos durante o Carnaval de 2025 e ações ligadas ao projeto “Caminhada da Diversidade LGBTI+”.
A apuração teve início após o Ministério Público receber documentos e denúncias apresentadas por organizadores de eventos e integrantes da comunidade LGBTI+, que relataram possíveis irregularidades na destinação das verbas públicas.

