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Nova fase da Compliance Zero aprofunda crise institucional e expõe fragilidades do sistema financeiro

Polícia Federal deflagra segunda fase da operação, com 42 mandados e bloqueio de R$ 5,7 bilhões, revelando suposta fraude e conexões entre mercado financeiro e política

Por: Redação

14/01/202614h02Atualizado

Foto: Divulgação/Polícia Federal

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (14), a segunda fase da Operação Compliance Zero, que marca um ponto de inflexão nas investigações sobre o colapso do Banco Master e amplia o alcance institucional do caso. Ao autorizar 42 mandados de busca e apreensão e o bloqueio de R$ 5,7 bilhões, o Supremo Tribunal Federal sinaliza que as suspeitas deixaram de se concentrar apenas em irregularidades administrativas para atingir o núcleo estrutural do sistema financeiro e suas conexões políticas.

O foco da nova etapa, a suposta utilização de fundos de investimento para inflar artificialmente o patrimônio do banco, revela um padrão sofisticado de fraude, que vai além da gestão temerária. A investigação sugere uma engenharia financeira voltada a criar uma aparência de solvência inexistente, com o objetivo claro de viabilizar a venda da instituição ao BRB. Caso confirmada, a estratégia levanta questionamentos sobre os mecanismos de fiscalização, a governança dos fundos envolvidos e o grau de assimetria de informações no mercado financeiro brasileiro.

A centralidade de Daniel Vorcaro no esquema, agora reforçada pela inclusão de familiares entre os alvos, indica que a PF trabalha com a hipótese de uma organização criminosa estruturada, com divisão de tarefas e uso recorrente de instrumentos financeiros para ocultação e dissimulação de recursos. A presença de nomes como Nelson Tanure e João Carlos Mansur amplia o alcance da apuração e adiciona uma camada de complexidade empresarial ao inquérito, dado o histórico de atuação desses agentes em operações de alto risco e reestruturações controversas.

Do ponto de vista institucional, a remessa do caso ao STF após a identificação de negócios imobiliários envolvendo um deputado federal da Bahia evidencia como a fronteira entre o sistema financeiro e o ambiente político permanece porosa. Ainda que, até o momento, não haja imputação direta ao parlamentar, o simples deslocamento da investigação para a Suprema Corte reforça a dimensão sensível do caso e tende a retardar sua tramitação, ao mesmo tempo em que eleva o custo político das decisões judiciais.

Outro aspecto relevante é o papel do Banco Central, que já havia decretado a liquidação extrajudicial do Master em 2025. A medida, à época justificada por “grave crise de liquidez”, ganha novo significado à luz das investigações. Se confirmada a manipulação deliberada de ativos e títulos, o episódio poderá reabrir o debate sobre a capacidade preventiva do regulador e sobre eventuais falhas nos sistemas de alerta e supervisão.

A Compliance Zero também projeta efeitos para além do caso concreto. A apuração de emissão de títulos falsos e manipulação de mercado coloca sob escrutínio práticas que, embora não generalizadas, encontram terreno fértil em ambientes de baixa transparência e fiscalização reativa. O desfecho da operação pode estabelecer precedentes relevantes, tanto no campo penal quanto regulatório, especialmente no uso de fundos como instrumentos de maquiagem patrimonial.

Por fim, o avanço da investigação em um calendário relativamente curto com expectativa de conclusão da primeira fase nas próximas semana, indica uma estratégia da PF de consolidar rapidamente o conjunto probatório, possivelmente antecipando novas denúncias. Mais do que a responsabilização individual dos envolvidos, o caso do Banco Master tende a se consolidar como um símbolo das vulnerabilidades do sistema financeiro quando interesses privados, engenharia financeira agressiva e conexões políticas se encontram sem controles eficazes.