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Messias avança em diálogo com o Senado antes de sabatina no STF

Presidente da CCJ aguarda envio formal da indicação pelo Planalto

Por: Redação

14/01/202609h32Atualizado

Foto: Renato Menezes/AscomAGU

A reunião entre o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), marca uma etapa decisiva na estratégia do governo para viabilizar a indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). O encontro, ocorrido na Bahia, reduto eleitoral do senador, ocorre em um momento de reorganização política após semanas de especulações e disputas nos bastidores do Congresso.

Embora Otto Alencar tenha afirmado que aguarda apenas o envio formal da mensagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para iniciar a tramitação da indicação, o gesto de Messias tem forte carga simbólica. Ao procurar o presidente da CCJ, o indicado reforça sua disposição ao diálogo institucional e antecipa movimentos para minimizar resistências antes da sabatina, considerada o principal teste político do processo.

A expectativa no Congresso é que a indicação seja formalizada logo após o término do recesso parlamentar, em 2 de fevereiro. A indefinição quanto à data da sabatina, contudo, revela a cautela do comando da CCJ diante de um ambiente político que, apesar de mais estável, ainda exige coordenação entre Executivo e Legislativo.

Ao comentar o processo de formação de apoios, Otto Alencar evitou demonstrar envolvimento direto na contagem de votos, ressaltando que a decisão ocorre por voto secreto e que considera “deselegante” sondar colegas sobre suas posições. A fala reforça o discurso institucional, embora a construção de apoio, na prática, avance por meio de encontros reservados e sinalizações políticas, uma dinâmica recorrente em indicações ao STF.

O avanço das articulações ocorre após um período de tensão entre os Poderes, acentuado pela manifestação pública do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em favor do nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). A possibilidade de um candidato alternativo chegou a ser interpretada como instrumento de pressão política sobre o Planalto, mas perdeu força diante da decisão do governo de manter Jorge Messias como indicado.

Com o cenário mais definido, a tendência é que o advogado-geral da União intensifique sua agenda no Senado nas próximas semanas. O objetivo é reduzir incertezas, evitar surpresas durante a sabatina e assegurar uma aprovação sem sobressaltos no plenário, permitindo ao governo encerrar a indicação ao STF de forma institucionalmente controlada e politicamente favorável.