Mercado espera Selic em 15% e adia para março início do ciclo de cortes
Primeira reunião do Copom de 2026 terá quórum reduzido; cautela na política monetária e incertezas econômicas mantêm juros altos
Por: Redação
26/01/2026 • 15h22
Os agentes do mercado financeiro esperam que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha inalterada a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano pelo quinto encontro consecutivo, adiando para março a expectativa de início do ciclo de cortes.
O primeiro encontro do Copom neste ano, marcado para quarta-feira (28), ocorrerá com quórum reduzido devido à saída dos diretores Diogo Guillen (Política Econômica) e Renato Gomes (Organização do Sistema Financeiro e de Resolução), em 31 de dezembro, sem a nomeação de substitutos. Com isso, apenas sete dos nove membros participarão da decisão.
Até dezembro de 2025, as projeções sobre o início da flexibilização da política de juros estavam divididas entre janeiro e março. O cenário de incerteza doméstica, a desaceleração gradual da economia e a volatilidade global levaram economistas a adotar maior cautela e rever suas expectativas.
Marco Antonio Caruso, economista do Santander, destaca a dificuldade de diagnosticar a velocidade da desaceleração econômica diante de dados mistos sobre a atividade e ressalta a incerteza quanto aos efeitos de medidas recentes, como a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5.000 mensais.
“Existe um conforto maior em manter a postura monetária como está e aguardar novos sinais. Talvez em março o diagnóstico seja mais claro”, afirmou Caruso. Segundo ele, a comunicação do Copom deve ser semelhante à adotada no fim de 2025, sem grandes indicações sobre os passos futuros. A decisão, segundo o economista, deve ser unânime, mesmo com dois diretores ausentes.
O Santander projeta que o ciclo de cortes de juros começará de forma gradual, com redução inicial de 0,25 ponto percentual, e acelerará a partir de abril, levando a Selic a 12,5% ao ano ao final do processo.
Para Tony Volpon, ex-diretor do Banco Central e professor da Georgetown University, a manutenção dos juros elevados sinaliza a intenção da gestão de Gabriel Galípolo de manter a inflação próxima ao centro da meta. “Se quisesse, o Copom já poderia ter iniciado o processo de corte. A prioridade é trazer a inflação para dentro da meta”, afirmou. O objetivo do BC é 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.A economista Juliana Inhasz, professora do Insper, acredita que turbulências internas e externas devem levar a um caminho mais conservador, com espaço para cortes a partir de março. Ela sugere um ajuste inicial de 0,5 ponto percentual e recomenda que o Copom sinalize previamente a redução para evitar surpresas e conter críticas ao governo.
O debate sobre a política monetária também se conecta ao contexto fiscal e eleitoral. A dívida bruta do governo geral encerrou 2025 em 79,3% do PIB, podendo atingir até 95% do PIB sem medidas adicionais de controle. Caruso alerta que, se os juros não forem disciplinados, a trajetória da dívida continuará em alta, aumentando o risco de problemas futuros.
Em 2025, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou o atual patamar da Selic o mais alto em quase duas décadas como insustentável, reforçando pressões sobre Galípolo e o colegiado para que iniciem o ciclo de cortes, especialmente em ano eleitoral.

