Lula rompe silêncio, se irrita com Toffoli e questiona condução de inquérito no STF
Planalto vê risco de impunidade em caso bilionário envolvendo o Banco Master
Por: Redação
26/01/2026 • 10h28
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou irritação com a atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli na condução do inquérito que investiga o Banco Master e passou a defender, nos bastidores, que o magistrado renuncie ao cargo ou antecipe sua aposentadoria.
De acordo com a Folha de S.Paulo, a insatisfação do presidente foi relatada em conversas reservadas com ao menos três auxiliares próximos. O desconforto está ligado à forma como Toffoli tem conduzido o caso, especialmente após a repercussão de notícias que revelaram vínculos de parentes do ministro com fundos ligados à cúpula do banco investigado.
Embora tenha sido nomeado ao STF por Lula em 2009, Toffoli não tem contado com a disposição do presidente em defendê-lo. Interlocutores afirmam que Lula avalia que a permanência do ministro na relatoria do inquérito contribui para o desgaste institucional do Supremo e alimenta a desconfiança de que a investigação possa ser esvaziada.
Desde o fim do ano passado, o presidente acompanha de perto o andamento do caso. Ele teria se incomodado particularmente com a decisão de Toffoli de impor sigilo elevado a um pedido da defesa de Daniel Vorcaro para levar as investigações ao STF. Para aliados, esse movimento reforçou a percepção de que o processo poderia terminar sem responsabilizações — cenário descrito pelo próprio Lula, em conversas reservadas, como uma possível “grande pizza”.
Em dezembro, o presidente convidou Toffoli para um almoço no Palácio do Planalto, com a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Na ocasião, Lula teria defendido que todas as irregularidades descobertas pelo governo fossem investigadas até as últimas consequências e buscado garantias de que o mesmo compromisso existiria no Judiciário. Segundo relatos, Toffoli respondeu que nada seria abafado e que o sigilo adotado era tecnicamente justificável.
Apesar do clima de tensão, ainda não há confirmação de que Lula vá propor formalmente que Toffoli se afaste do tribunal ou deixe a relatoria do caso. A expectativa, no entanto, é que o presidente volte a chamá-lo para uma nova conversa sobre sua conduta no inquérito.
Publicamente, Lula tem reforçado o discurso de combate a fraudes e de defesa de investigações que atinjam também agentes poderosos. Na última sexta-feira (23), em Maceió, o presidente foi direto ao mencionar o caso: “Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado enquanto tem um cidadão do Banco Master que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões”.
Nos bastidores do Planalto, a avaliação é de que a condução do inquérito se tornou um teste tanto para a credibilidade do STF quanto para o compromisso do governo com o discurso de justiça social e igualdade perante a lei.

