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Lídice aponta contradições da Prefeitura sobre escola para autistas e cobra entrega do equipamento

Obra anunciada como referência na educação especial segue sem funcionamento após anos de promessa

Por: Redação

08/07/202610h05

Foto: Reprodução/Instagram @lidicedamata

A Prefeitura de Salvador tenta transformar em anúncio positivo um problema que se arrasta há anos: a demora na entrega da escola municipal destinada ao atendimento de crianças autistas no Curralinho. A estratégia da gestão do prefeito Bruno Reis tem sido apresentar imagens da obra e prometer uma retomada, mas não responde à principal cobrança das famílias: por que um equipamento anunciado como prioridade continua sem funcionar?

A crítica foi feita pela deputada federal Lídice da Mata (PSB), que acusou a administração municipal de tentar esconder o fracasso na execução do projeto. Para a parlamentar, a Prefeitura busca criar uma narrativa de normalidade para uma obra marcada por atraso, promessa não cumprida e rompimento de contrato.

“A Prefeitura tenta tapar o sol com a peneira. A obra foi abandonada, sim. A imprensa comprovou”, afirmou Lídice.

O episódio ganhou repercussão após o secretário municipal da Educação, Thiago Dantas, divulgar um vídeo ao lado da presidente da Associação de Amigos do Autista da Bahia (AMA-BA), Rita Brasil, em uma tentativa de contestar críticas sobre a situação do equipamento. No vídeo, o secretário afirmou que a visita teria servido para “desmentir fake news” e declarou que a obra estaria com 70% de execução.

A resposta da oposição foi imediata. Lídice classificou a postura da gestão municipal como uma tentativa de substituir explicações por propaganda. Segundo ela, a Prefeitura não consegue apagar o fato de que a escola tinha previsão de entrega para 2023 e permanece sem atender crianças que dependem de uma estrutura adequada.

A Escola Municipal do Curralinho foi anunciada como um equipamento de referência para a educação especial em Salvador, com atendimento voltado a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e espaço destinado à nova sede da AMA-BA. Mesmo considerada estratégica pela própria administração, a unidade segue sem funcionamento.

Outro ponto que enfraquece o discurso da Prefeitura, segundo a deputada, é o rompimento do contrato da obra. A gestão municipal classificou a rescisão como consensual, mas Lídice questiona como uma construção considerada avançada acabou tendo o contrato encerrado.

“Se não houve abandono, por que o contrato foi rompido? Se estava tudo sob controle, por que a escola não foi entregue?”, questionou.

A parlamentar também apontou uma contradição nos números divulgados pela própria Prefeitura. Segundo ela, em 2024, durante a campanha eleitoral, Bruno Reis afirmou que a obra estaria 90% concluída. Já em 2026, o secretário da Educação apresentou um percentual de 70%.

A diferença nos dados aumentou a pressão sobre a administração municipal, que agora precisa explicar não apenas o atraso da entrega, mas também a divergência entre os números apresentados publicamente.

Enquanto a Prefeitura tenta apresentar a obra como uma retomada administrativa, famílias de crianças autistas continuam esperando por um equipamento que foi anunciado como símbolo de inclusão, mas que permanece como mais uma promessa pendente da gestão municipal.