Justiça da Bahia perde uma de suas principais referências institucionais
Carlos Alberto Dultra Cintra presidiu o TJ-BA e o TRE-BA e marcou época ao defender a autonomia do Judiciário
Por: Redação
24/02/2026 • 10h29
Morreu na manhã desta terça-feira (24), aos 82 anos, o desembargador aposentado Carlos Alberto Dultra Cintra, ex-presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) e do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA). Até o momento, não foram divulgadas informações sobre a causa do falecimento.
Natural de Ipirá, no sertão baiano, Cintra formou-se em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), na turma de 1967. Ingressou no Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) em 1969, onde iniciou a trajetória que o levaria aos mais altos postos do Judiciário estadual.
Em 1991, tornou-se o primeiro procurador-geral de Justiça escolhido por meio de eleição direta no âmbito do MP-BA, após liderar a lista tríplice e ser nomeado pelo então governador. No ano seguinte, deixou o cargo para assumir a vaga destinada ao Ministério Público no TJ-BA.
À frente do Tribunal de Justiça da Bahia entre 2002 e 2004, Dultra Cintra conduziu um período de mudanças estruturais. Sua gestão ficou marcada pela transferência da sede da Corte do tradicional Fórum Ruy Barbosa, no bairro de Nazaré, para o Centro Administrativo da Bahia (CAB), simbolizando uma nova fase administrativa da instituição.
Defensor da autonomia do Tribunal Pleno e da independência entre os Poderes, o magistrado protagonizou embates com o então senador Antônio Carlos Magalhães, uma das figuras mais influentes da política baiana à época. Ao enfrentar o domínio político exercido por ACM sobre setores do Executivo, Legislativo e Judiciário, Cintra tornou-se um de seus principais opositores públicos.
Entre 2004 e 2006, presidiu o TRE-BA. Antes da aposentadoria, atuava como presidente da 3ª Câmara Cível e da Seção Cível de Direito Público do TJ-BA.
Reconhecido por colegas como firme, técnico e comprometido com a independência institucional, Carlos Alberto Dultra Cintra deixa legado associado à modernização administrativa do Judiciário baiano e à defesa da autonomia da Justiça.

