Educação pública em pauta: Bahia amplia diálogo com a América Latina
Eventos reúnem cerca de 700 participantes para debater democracia, direitos humanos e regime de colaboração no ensino público
Por: Redação
04/03/2026 • 09h34
Salvador se consolida, nesta semana, como centro de debates estratégicos sobre educação pública ao sediar dois grandes encontros voltados ao fortalecimento das políticas educacionais e da democracia. A capital baiana recebe o Encontro Regional da Rede de Trabalhadoras da Educação - Internacional da Educação América Latina, realizado nesta terça (3) e quarta-feira (4), e o Encontro da Rede de Trabalhadores da Educação, iniciado na segunda-feira (2) e com programação até quinta-feira (5).
As atividades acontecem no Hotel Fiesta e integram o Seminário Internacional de Educação, reunindo cerca de 700 participantes, entre representantes nacionais e internacionais, lideranças sindicais, gestores públicos e especialistas.
Na abertura do encontro internacional, a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, destacou o cenário global de instabilidade democrática. “Vivemos uma tensão permanente sobre o significado da democracia e dos direitos humanos”, afirmou. Segundo ela, a América Latina enfrenta o avanço de discursos autoritários e o aprofundamento das desigualdades sociais. “A democracia só se concretiza com políticas públicas que garantam dignidade”, declarou.
A ministra das Mulheres do Brasil, Márcia Lopes, ausente por questões de saúde, enviou declaração ao evento. Na mensagem, ressaltou que, embora as mulheres sejam maioria na base do sistema educacional, ainda encontram barreiras estruturais para ocupar espaços de poder. “Democracia exige mais que voto. Requer representação, igualdade de oportunidades e enfrentamento a todas as formas de violência de gênero”, destacou.
Representando o governador Jerônimo Rodrigues, a secretária estadual da Educação, Rowenna Brito, enfatizou o simbolismo de sediar o encontro na Bahia, especialmente no mês dedicado às mulheres. “Este espaço reafirma o nosso compromisso com a valorização das trabalhadoras da Educação e com a luta por igualdade”, pontuou. A gestora também destacou o protagonismo estudantil e a construção de uma escola inclusiva. “Queremos meninas ocupando todos os lugares de decisão”, afirmou.
Também representando o chefe do Executivo baiano, a secretária de Políticas para as Mulheres, Neusa Cadore, reforçou a relação entre educação e equidade. “A democracia plena exige a participação efetiva das mulheres nos espaços de poder.” Ela apresentou ações desenvolvidas em parceria com a Secretaria da Educação, como o projeto Oxe, Me Respeite. “A escola é território estratégico para romper violências e afirmar direitos”, destacou.
A programação internacional inclui painéis, oficinas e debates sobre financiamento, organização sindical e enfrentamento às desigualdades, promovendo a integração latino-americana. As discussões dialogam com a defesa de uma educação pública democrática e socialmente referenciada. O intercâmbio de experiências busca fortalecer redes de cooperação e ampliar estratégias conjuntas entre países da região.
Paralelamente, o Encontro da Rede de Trabalhadores da Educação aprofunda o debate sobre o Sistema Nacional de Educação e os planos estadual e municipais. Rowenna Brito destacou a importância da agenda para consolidar políticas estruturantes. “Estamos alinhando estratégias para garantir direitos e fortalecer a qualidade do ensino em todo o território baiano”, afirmou.
O presidente da Federação de Trabalhadores da Educação e diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Valdir Silva, reforçou a relevância dos dois eventos. “São momentos decisivos diante das mudanças na legislação e do cenário internacional desafiador”, avaliou. Ele ressaltou a necessidade de planejamento articulado entre Estado e municípios. “Precisamos construir caminhos que assegurem avanços consistentes para a educação pública na Bahia”, concluiu.

