Crise ambiental em São Tomé de Paripe chega à Câmara Municipal
Sessão na Câmara é marcada por divergência sobre responsabilidades
Por: Redação
23/04/2026 • 09h12
A interdição da praia de São Tomé de Paripe, no subúrbio ferroviário de Salvador, voltou ao centro das discussões na Câmara Municipal nesta quarta-feira (22), após a identificação de contaminação química no local. A área permanece fechada desde fevereiro de 2026, quando foram detectados níveis elevados de cobre, nitrato e nitrito tanto na água quanto na areia.
Entre os impactos já observados estão manchas escuras no mar, mortandade de peixes e a proibição da atividade pesqueira, afetando diretamente moradores e trabalhadores da região. Um terminal marítimo nas proximidades também teve suas operações suspensas pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), sob suspeita de ligação com a poluição.
A vereadora Eliete Paraguassu (PSOL) destacou a gravidade da situação e convocou os parlamentares para uma audiência pública sobre o tema, marcada para quinta-feira (23), no Centro de Cultura da Câmara. O debate será realizado em conjunto com as vereadoras Aladilce Souza (PCdoB) e Marta Rodrigues (PT).
Durante a sessão, o principal ponto de conflito foi a definição de responsabilidade pela contaminação. O vereador Luiz Carlos (Republicanos) afirmou que o problema teria origem em uma empresa que anteriormente operava na área, chamada Gerdal, enquanto a atual ocupante, Intermarítima, apenas utilizaria a estrutura existente. Já a vereadora Aladilce Souza contestou a versão, citando laudos técnicos. “O Inema não suspenderia uma operação sem fundamentos consistentes na investigação”, declarou.
O presidente da Câmara, Carlos Muniz (PSDB), reforçou a necessidade de apuração rigorosa e responsabilização dos envolvidos. Segundo ele, é essencial garantir que a população não arque com os prejuízos causados pela situação. Muniz também ressaltou o papel do Legislativo como espaço de debate democrático e defesa dos direitos da população.

