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Banco Master: investigação da PF revela conexões de políticos com foro privilegiado

Documentos e celulares apreendidos durante a Operação Compliance Zero apontam relações de ex-banqueiro com lideranças do Congresso; desdobramentos terão de tramitar no STF

Por: Redação

30/01/202616h39

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A Polícia Federal segue aprofundando a apuração sobre o Banco Master e suas ligações com políticos e autoridades, após a primeira fase da Operação Compliance Zero, que teve como alvo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo informações do jornal Folha de S. Paulo, documentos e registros apreendidos indicam referências a pessoas com foro privilegiado e líderes partidários, ampliando o alcance da investigação.

Por envolver autoridades com foro especial, a continuidade das apurações deverá tramitar no Supremo Tribunal Federal (STF), órgão competente para julgar essas figuras. Fontes ligadas à investigação afirmam que foram encontrados “vários achados” envolvendo políticos de destaque.

Vorcaro teve seus sigilos bancário e telefônico quebrados e documentos apreendidos, além de o celular do banqueiro ter sido analisado pela PF, fornecendo detalhes sobre relações financeiras e políticas. Contudo, investigadores destacam que as menções a políticos não se relacionam diretamente com o inquérito principal, que investiga a fabricação de carteiras fraudulentas de crédito consignado e a negociação de venda do Master para o BRB (Banco de Brasília), motivo original da operação.

A Justiça Federal em Brasília autorizou a primeira fase da operação em 18 de novembro, mesmo dia em que o Banco Master foi liquidado. Nos últimos anos, Vorcaro se tornou uma figura visível em Brasília, promovendo encontros em sua mansão com autoridades e aliados políticos. Desde a deflagração da operação, suas conexões provocam tensão entre políticos, que temem que suas relações pessoais e financeiras sejam reveladas à PF.

Em depoimento à Polícia Federal, Vorcaro minimizou sua influência. "Se eu tenho tantas relações políticas, como estão dizendo, e se eu tivesse pedido a ajuda desses políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada, eu não estaria aqui de tornozeleira, eu não teria sido preso e estava com a minha família sofrendo o que a gente está sofrendo."

No STF, há expectativa de que o caso possa ser desmembrado, reduzindo a pressão sobre a Corte, especialmente após a revelação de que o ministro Dias Toffoli, relator do inquérito, possui ligações indiretas com o caso. Dois de seus irmãos mantêm sociedade com um fundo controlado pelo cunhado de Vorcaro no resort Tayayá, no Paraná, fato que levou o relator a impor alto grau de sigilo sobre a apuração.

O caso Banco Master expõe não apenas irregularidades financeiras, mas também o delicado entrelaçamento entre negócios privados e poder político, reforçando a necessidade de investigações rigorosas e transparentes.