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TSE exige explicações da Meta sobre restrições à campanha de Lula

Por: Redação

11/10/2026 • 19h40

O TSE deu 48 horas para que a Meta esclareça acusações de controle inadequado sobre conteúdos da campanha de Lula, levantadas pelo PT.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleceu um prazo de 48 horas para que a Meta, responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, forneça esclarecimentos sobre alegações de "seletividade algorítmica" e restrições na disseminação de conteúdos da campanha do candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão foi tomada pelo ministro Marco Aurélio Bellizze.

O magistrado pediu que a Meta informe se impôs limitações na distribuição de publicações da conta de Lula, se houve exclusões de recomendações de conteúdos ou bloqueios geográficos. Bellizze destacou que as questões levantadas ocorrem em um ambiente controlado exclusivamente pela empresa, que inclui sistemas de distribuição, registros de moderação e a plataforma de anúncios.

A ação foi movida pela campanha do PT, que alega suspeitas de interferência no processo eleitoral em favor da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL). O partido argumenta que o controle exercido por grandes empresas transnacionais ameaça a cidadania e o processo democrático.

Entre os pontos citados pela campanha de Lula estão cinco casos específicos de suposta interferência, como a proibição de impulsionar conteúdos no Instagram e interrupções na contagem de visualizações. Um levantamento da Secretaria Nacional de Comunicação do PT revelou uma discrepância significativa: a página de Flávio Bolsonaro teve, em média, 2,96 vezes mais engajamento que a de Lula, apesar de ter 17,2% menos seguidores.

A Meta, em nota, reconheceu que ocorreram "problemas técnicos" que afetaram o alcance das postagens, mas negou as acusações de favorecimento político, considerando-as infundadas. A empresa afirmou que os problemas não se restringiram ao Brasil ou a contas específicas.

Além de analisar o alcance das postagens, o TSE também ordenou que a Meta detalhasse as ações tomadas para investigar 255 perfis falsos criados por inteligência artificial, os quais, segundo a campanha do PT, acumularam cerca de 58 milhões de visualizações e dispararam ataques contra Lula e a primeira-dama Janja Lula da Silva.

Esse conflito ocorre em um contexto global de debate sobre a neutralidade das redes sociais e a manipulação de dados durante campanhas eleitorais. O tema ganhou relevância após a declaração de Mark Zuckerberg, proprietário da Meta, de que atuaria ao lado do presidente dos EUA, Donald Trump, contra a regulação de plataformas digitais. A empresa já enfrentou escândalos relacionados a impactos eleitorais, como o caso da Cambridge Analytica nas eleições dos EUA e no plebiscito do Brexit, que resultaram em multas significativas e reconhecimento de falhas em sua governança em anos anteriores.

Fonte: Bahia Notícias