PF solicita bloqueio de bens da Gerdau por contaminação em praia de Salvador
Por: Redação
10/08/2026 • 14h20
A Polícia Federal pede à Justiça o bloqueio de bens da Gerdau para assegurar reparações pela contaminação na Praia de São Tomé de Paripe, afetando 800 famílias.
A Polícia Federal (PF) requereu à Justiça Federal da Bahia a indisponibilidade dos bens da siderúrgica Gerdau. Essa ação cautelar visa garantir que a empresa possa arcar com eventuais reparações e indenizações socioambientais relacionadas à contaminação da faixa litorânea próxima à Praia de São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário de Salvador.
O pedido, inicialmente revelado pelo jornalista Gustavo Maia, tem como objetivo evitar a venda, transferência ou oneração dos bens da Gerdau até que uma decisão final seja proferida, assegurando assim os recursos necessários para compensar os danos causados.
A contaminação atinge aproximadamente 800 famílias e impacta diretamente a vida de cerca de 1.200 pescadores e marisqueiras da área. Moradores locais relataram, em entrevista ao Bahia Notícias, os efeitos nocivos na sua rotina.
A situação se agravou ao longo de seis meses, resultando em sanções financeiras e na declaração de emergência pela Prefeitura de Salvador. O Decreto nº 41.834, publicado em 8 de junho, reconheceu a emergência por um período inicial de 90 dias. A Secretaria Municipal de Saúde está monitorando casos suspeitos de intoxicação química, emitindo alertas sobre riscos de complicações dermatológicas e gastrointestinais.
Laudos do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema) identificaram altos níveis de metais pesados, como ferro, cobre e zinco, além de contaminação por arsênio. As coletas realizadas em março e abril em oito pontos da praia mostraram que os maiores índices estavam presentes em organismos bivalves, como ostras e mexilhões.
A Gerdau, em contranotificação ao Inema, reconheceu a presença histórica de contaminação em sua antiga área de operação, mas atribui a responsabilidade atual à Intermarítima, que adquiriu o Terminal Itapuã. A Intermarítima, por sua vez, defendeu que os laudos da Gerdau indicavam contaminação já durante seu funcionamento e que a empresa havia se comprometido a concluir a remediação ambiental antes da venda em 2022.
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) investiga a possibilidade de que rejeitos deixados pela Gerdau tenham migrado pelo lençol freático até o mar, mesmo após a desativação do terminal.
Fonte: Bahia Notícias

