Dois milhões de trabalhadores atuam por aplicativos no Brasil, revela pesquisa
Por: Redação
16/09/2026 • 10h00
Uma nova pesquisa indica que o Brasil conta com cerca de 2 milhões de trabalhadores em plataformas digitais, evidenciando a precarização do emprego nesse setor.
De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), o Brasil possui aproximadamente 2 milhões de trabalhadores que atuam por meio de aplicativos, o que representa 1,9% do total de ocupados no país. O estudo, realizado em colaboração entre o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o IBGE, revela um cenário de precarização do trabalho digital, com condições de renda desfavoráveis e jornadas excessivas.
Quando se considera apenas os que utilizam essas plataformas como ocupação principal, o número sobe para 1,8 milhão, marcando um crescimento de 9,1% em um ano e 36,8% em relação a 2022. O segmento de entregadores por aplicativo foi o que mais se expandiu, com um aumento de 18,6% entre 2024 e 2025.
No setor de transporte, 75% dos profissionais dependem de plataformas digitais para sua renda. A maioria desses trabalhadores (84,4%) é do sexo masculino e opera de forma informal. A principal razão para a adesão a esses aplicativos é a falta de alternativas no mercado de trabalho convencional, seguida pela busca por flexibilidade.
A pesquisa revela desigualdades nas condições de trabalho, com os profissionais de aplicativos tendo que trabalhar, em média, 5,4 horas a mais por semana para obter a mesma renda que os trabalhadores formais. Enquanto os trabalhadores formais recebem R$ 18,40 por hora, os que atuam em plataformas ganham R$ 16,20. A vulnerabilidade social é alarmante, com 72,1% dos trabalhadores de plataformas sendo informais, em comparação a 42,7% dos demais. Apenas 34% têm cobertura previdenciária, muito abaixo dos 63% do restante do setor privado, o que os exclui de benefícios essenciais.
A procuradora Clarissa Ribeiro Schinestsck destacou a gravidade da situação e a necessidade de um diagnóstico preciso para ações institucionais, alertando que a transformação digital não deve comprometer os direitos sociais. O pesquisador José Dari Krein, do CESIT/UNICAMP, reforçou que a pesquisa evidencia a precariedade do trabalho por plataformas, com a deterioração dos indicadores de proteção previdenciária e rendimento. Krein enfatizou que as plataformas combinam baixa proteção social, jornadas extensas e menores rendimentos, mantendo o controle sobre preços, clientes e a organização do trabalho, afirmando que a tecnologia não elimina a subordinação, mas modifica seus instrumentos, transferindo custos e riscos aos trabalhadores.
Fonte: Bahia Notícias

