Bahia lança Ciclo II do Cultura Viva com R$ 10,1 milhões em editais para 149 propostas
Novo pacote da Secult-BA integra a Política Nacional Aldir Blanc e amplia fomento a Pontos de Cultura, escolas de tempo integral e povos indígenas
Por: Redação
04/03/2026 • 10h50
“Foi-se o tempo em que a cultura era um privilégio de poucos”. A afirmação do secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, marcou o lançamento do Ciclo II dos Editais Cultura Viva Bahia, realizado nesta terça-feira (3), na sede da Associação de Arte e Cultura Social (Cajaarte), em Cajazeiras, Salvador.
O novo ciclo reúne seis editais, soma R$ 10,1 milhões em investimentos e vai selecionar 149 propostas, entre premiações e fomento direto para Pontos e Pontões de Cultura, coletivos e entidades culturais. A iniciativa é executada pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA) e integra a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), política do Governo Federal em parceria com estados e municípios para garantir investimentos contínuos no setor.
Na prática, os recursos são destinados a fortalecer iniciativas culturais já existentes nos territórios e ampliar o alcance das políticas públicas, com foco na descentralização e na democratização do acesso.
Durante a apresentação, Bruno Monteiro destacou a conexão entre cultura e educação como um dos pilares do novo ciclo, especialmente nas escolas de tempo integral. Segundo ele, a Bahia conta com cerca de 1.600 Pontos de Cultura certificados e aproximadamente 700 escolas estaduais nesse modelo.
A proposta é aproximar comunidade e escola, criando oportunidades de formação cultural e ampliando horizontes para a juventude. “É uma política pública democrática e territorializada, feita para reconhecer os diferentes fazeres culturais”, afirmou o secretário.
No evento, a Cajaarte foi apresentada como exemplo de iniciativa territorial que alia cultura e formação. Diretor da associação, Wilson Amorim Júnior ressaltou o impacto social do trabalho desenvolvido na comunidade. “O intuito é principalmente tirar a juventude do caminho da violência”, disse, ao associar as atividades culturais à construção de pertencimento e convivência em contextos de vulnerabilidade.
A cultura indígena ganha destaque no Ciclo II, com edital específico voltado ao fortalecimento de tradições, identidade e memória. A superintendente de Políticas para Povos Indígenas da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi), Patrícia Pataxó, enfatizou a importância do recurso chegar diretamente às comunidades.
“É mais um instrumento para que os recursos cheguem na ponta e fomentem a cultura indígena”, afirmou. Ela lembrou que a Bahia reúne mais de 34 povos indígenas, cada um com suas especificidades culturais, e destacou o reconhecimento dos saberes tradicionais transmitidos entre gerações.
Além do recorte indígena, o secretário ressaltou que o ciclo foi desenhado para enfrentar desigualdades históricas, com editais voltados a públicos e realidades distintas. Entre as novidades está o Prêmio Orgulho LGBTQIAPN+, que reconhece iniciativas de organização de paradas e ações de visibilidade no estado.
As inscrições para os seis editais ficam abertas de 4 a 31 de março. O processo inclui этапas de avaliação das propostas, análise documental e, posteriormente, pagamento dos recursos aos selecionados. “Depois passa pela fase de avaliação das propostas, depois de documentação e aí a gente entra na fase de pagamento”, explicou o secretário.
Na modalidade de premiação: Prêmio Cultura Viva Bahia 2026 reconhece trajetórias e ações já realizadas por Pontos, Pontões e coletivos; Prêmio Pontos de Cultura Indígena é voltado a iniciativas culturais em territórios indígenas, certificadas ou não; Prêmio Orgulho LGBTQIAPN+ contempla ações de promoção da diversidade e visibilidade no estado.
No fomento a projetos: Cultura Viva na Bahia – Ano II apoia atividades continuadas nos territórios por 12 meses, com vagas reservadas para indígenas; Cultura e Educação Ponto a Ponto financia ações culturais em escolas de tempo integral da rede estadual; QualiCultura Viva fortalece Pontões de Cultura responsáveis por articular redes e ampliar o acesso à cultura em escala regional e estadual.
Com o novo ciclo, o governo estadual reforça a estratégia de consolidar a cultura como política pública estruturante, ampliando o alcance territorial e promovendo inclusão social por meio do investimento direto em quem produz cultura na Bahia.

