Mansão de R$ 10 milhões abandonada em Brasília escancara descaso da elite política com patrimônio e realidade social
Patrimônio da tradicional família Magalhães na capital segue fechada e sem manutenção à espera de decisão da Justiça
Por: Redação
11/08/2025 • 12h20 • Atualizado
Em pleno coração político do país, uma mansão avaliada em R$ 10 milhões, localizada em uma das regiões mais valorizadas de Brasília, encontra-se em completo estado de abandono, enquanto milhares de famílias lutam por moradia digna no Distrito Federal.
O imóvel, que pertence à família do ex-prefeito de Salvador e atual dirigente do União Brasil, ACM Neto, de acordo com informações da revista Veja, tem 782 m² de área construída e está a apenas 10 quilômetros do Congresso Nacional, a residência de alto padrão virou símbolo do descaso, do privilégio hereditário e da impunidade que cerca as elites políticas brasileiras.
Segundo apuração da Veja, o abandono do imóvel está ligado a uma disputa judicial envolvendo o inventário do ex-senador Antônio Carlos Magalhães, patriarca da influente família baiana. Procurado, ACM Neto confirmou a situação e justificou que, devido à “judicialização do inventário” de seu avô, não é possível realizar qualquer intervenção na propriedade. “Ela está abandonada porque existe uma judicialização em relação ao inventário de meu avô e, em função disso, não se pode mexer em nada”, declarou.
O caso chama atenção não apenas pelo alto valor do imóvel, mas pelo contraste social evidente: em uma capital marcada por desigualdades, uma mansão milionária permanece vazia e deteriorada, enquanto milhares de pessoas vivem em situação de vulnerabilidade habitacional nas periferias do Distrito Federal.
Além disso, o episódio levanta questionamentos sobre a morosidade dos processos de inventário no Brasil, especialmente quando envolvem figuras públicas e grandes fortunas. A falta de resolução por anos contribui para a degradação de bens de valor histórico, arquitetônico e econômico, ao mesmo tempo em que reflete a ineficiência de mecanismos legais para resolver litígios patrimoniais.
Em um país onde mais de 6 milhões de pessoas não têm onde morar, segundo dados da Fundação João Pinheiro, o abandono de uma propriedade desse porte, por uma das famílias mais influentes da política nacional, soa quase como um deboche. A situação é ainda mais grave quando se considera que o imóvel está em uma área urbana consolidada, com infraestrutura e alto valor de mercado.
A mansão abandonada dos Magalhães não é apenas um retrato do descaso com o patrimônio. É um símbolo da desigualdade brasileira: onde sobram imóveis para poucos e faltam casas para muitos. A mansão segue esquecida, acumulando mato, infiltrações e abandono, como um retrato silencioso da desconexão entre poder, patrimônio e responsabilidade social.

