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Bahia aposta na leitura como ferramenta de inclusão e desenvolvimento social

Investimento de R$ 5 milhões amplia acervos, valoriza produção editorial e leva livros a diferentes territórios

Por: Redação

08/07/202612h01

Foto: Divulgação/Ascom Fundação Pedro Calmon

A Bahia lançou um conjunto de ações que destina R$ 5 milhões para fortalecer as políticas de livro, leitura e memória cultural no estado. O anúncio foi feito pela Fundação Pedro Calmon (FPC), na Biblioteca Central da Bahia, em Salvador, com a participação de escritores, pesquisadores, editoras, gestores públicos e representantes do setor cultural.

O investimento prevê a ampliação do acesso aos livros nos 27 Territórios de Identidade, o fortalecimento das editoras baianas e a criação de novos espaços de leitura em comunidades quilombolas, indígenas, de terreiro e áreas em situação de vulnerabilidade social.

Uma das principais iniciativas apresentadas foi o catálogo Bahia de Todos os Livros, que reúne mais de 700 obras publicadas em 2025 por autores e editoras do estado. A publicação, considerada inédita no Brasil, pretende dar visibilidade à diversidade da literatura baiana e será utilizada como referência para a seleção de obras em feiras, festivais e bienais apoiados pelo poder público.

A política estadual também contempla a aquisição de 30 mil livros de 30 editoras selecionadas. Os exemplares irão compor acervos de bibliotecas públicas e comunitárias, ampliando a circulação da produção literária local e fortalecendo o mercado editorial.

Entre os beneficiados estão segmentos independentes, como editoras dedicadas à literatura de cordel, que passam a integrar as ações de compra pública de livros. A medida amplia o reconhecimento de manifestações culturais tradicionais e cria novas oportunidades para escritores e produtores.

Leitura chega a comunidades

Outro destaque é o projeto Pouso da Palavra, criado a partir do legado do poeta e fotógrafo Damário da Cruz. A iniciativa prevê a implantação e modernização de 300 espaços de leitura em diferentes comunidades baianas.

Cada unidade receberá 100 livros, além de equipamentos como notebook, televisão, câmera digital, microfone e caixa de som. Também serão realizadas capacitações para mediadores de leitura e responsáveis pela organização dos acervos.

Ao todo, serão distribuídos 30 mil livros físicos, levando acesso à literatura para regiões que historicamente tiveram menor presença de equipamentos culturais.

O pacote inclui ainda a atualização do Plano Estadual do Livro e da Leitura, que definirá as ações para os próximos dez anos, e a realização da pesquisa Bahia que Lê, que fará um diagnóstico dos hábitos de leitura da população.

Durante o evento, também foi entregue o caderno Ofício das Baianas de Acarajé, produzido pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC). A publicação registra a trajetória das baianas de acarajé como patrimônio cultural e destaca o papel dessas mulheres na preservação das tradições afro-brasileiras e da identidade cultural baiana.