Atuação privada de Lewandowski ocorreu entre STF e ministério, diz Wagner
Consultoria antecedeu ida do ex-ministro ao governo
Por: Redação
27/01/2026 • 10h00 • Atualizado
O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, confirmou ter indicado o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) e ex-ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, para prestar serviços de consultoria jurídica ao Banco Master. A informação foi revelada pelo portal Metrópoles e confirmada pela assessoria do parlamentar.
Segundo Wagner, ele foi procurado para sugerir o nome de um jurista qualificado e, à época, lembrou de Lewandowski, que havia deixado o STF em abril de 2023. Após a indicação, a decisão pela contratação teria sido tomada pelo próprio banco. “Seguramente, o banco achou a sugestão adequada e o contratou”, afirmou o senador em nota.
O episódio, no entanto, levanta questionamentos éticos e políticos, sobretudo diante do histórico recente do Banco Master. A instituição foi liquidada pelo Banco Central em novembro do ano passado, após enfrentar uma grave crise de liquidez. Além disso, é alvo de investigação da Polícia Federal, em inquérito que tramita no STF, envolvendo suspeitas de fraudes em carteiras de crédito e operações com fundos de investimento. O controlador do banco, Daniel Vorcaro, nega irregularidades.
O escritório de Lewandowski prestou consultoria jurídica ao Banco Master após sua aposentadoria do Supremo. Os valores pagos pelos serviços não foram divulgados, o que reforça críticas sobre a falta de transparência na relação entre autoridades públicas e instituições financeiras envolvidas em controvérsias. Em fevereiro de 2024, menos de um ano após deixar o STF, Lewandowski assumiu o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública, função que exerceu até este ano.
Em nota, o ex-ministro afirmou que, ao deixar o Supremo, retomou regularmente suas atividades na advocacia. “Além de vários outros clientes, prestou serviços de consultoria jurídica ao Banco Master”, declarou.
Lewandowski também ressaltou que se afastou completamente da advocacia ao assumir o Ministério da Justiça. “Ao ser convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública, em janeiro de 2024, Lewandowski retirou-se de seu escritório de advocacia e suspendeu o seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), deixando de atuar em todos os casos”, diz a nota.
Apesar das explicações formais, a revelação da indicação feita por um dos principais aliados do presidente Lula reacende o debate sobre conflitos de interesse, a chamada “porta giratória” entre cargos públicos e o setor privado e o grau de rigor ético exigido de autoridades que transitam entre o Judiciário, o Executivo e o mercado financeiro.

