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Atrasos em bolsas e salários expõem falhas na gestão da saúde da Prefeitura de Salvador

Médicos residentes denunciam descontrole orçamentário, pagamentos parcelados e insegurança financeira em hospital municipal da capital

Por: Redação

29/12/202510h42Atualizado

Foto: Lucas Moura/Divulgação

Médicos residentes que atuam em um hospital municipal de Salvador denunciam uma situação que escancara falhas graves na gestão da Prefeitura na área da saúde: atrasos no pagamento de bolsas e salários, comunicados de última hora e ausência de soluções concretas por parte da Secretaria Municipal da Saúde (SMS). Segundo os profissionais, a bolsa-estudo com vencimento no início de novembro segue sem pagamento, e a previsão repassada internamente é de que o depósito só ocorra até o fim do ano. Já o valor referente a dezembro deve ser empurrado para janeiro.

A justificativa apresentada pela gestão municipal, falta de recursos e estouro do orçamento da pasta, tem sido recebida com indignação pelos médicos. Para os residentes, o argumento revela não apenas dificuldades financeiras, mas um evidente descontrole orçamentário e falta de planejamento em um setor essencial. “Não estamos falando de bônus ou gratificação, mas de uma bolsa que garante a sobrevivência de quem trabalha diariamente no atendimento à população”, afirmou um residente, sob condição de anonimato.

A situação se agrava com a comunicação feita pela direção do hospital de que o salário referente ao mês de novembro, que deveria ser pago no último dia útil de dezembro, também será atrasado. O pagamento, segundo informado aos profissionais, será parcelado em duas vezes, ambas previstas para janeiro. Na prática, isso significa que médicos terão salários acumulados e despesas básicas igualmente acumuladas, sem qualquer garantia de regularização futura.

O comunicado interno aponta que o orçamento da Secretaria Municipal da Saúde teria atingido o teto de gastos do ano. Para os profissionais, a explicação soa como transferência de responsabilidade para quem está na linha de frente do atendimento. “O teto estourou, mas quem paga a conta somos nós. Aluguel, contas e alimentação não entram em ‘parcelamento’”, desabafou outro médico.

Entidades ligadas à categoria avaliam que a situação ultrapassa o campo administrativo e se transforma em um problema ético e institucional. Médicos residentes cumprem jornadas extensas, com grande carga de responsabilidade, e são parte fundamental do funcionamento dos hospitais públicos. O atraso sistemático de pagamentos compromete a dignidade desses profissionais e ameaça diretamente a qualidade da assistência prestada à população.

Para os denunciantes, o episódio evidencia o contraste entre o discurso oficial da Prefeitura, que frequentemente anuncia investimentos e melhorias na saúde, e a realidade enfrentada dentro das unidades hospitalares. “Se não há recursos sequer para pagar quem mantém o hospital funcionando, algo está muito errado na gestão”, criticou um residente.

A Secretaria Municipal da Saúde de Salvador tem espaço aberto para se manifestar e explicar os motivos dos atrasos, bem como apresentar um cronograma claro e definitivo para a regularização dos pagamentos. Enquanto isso não ocorre, médicos seguem trabalhando sob pressão, incerteza financeira e sensação de abandono por parte do poder público municipal.

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