Trocas partidárias movimentam Câmara e redesenham forças políticas
Mais de 120 deputados mudam de sigla durante janela eleitoral e alteram equilíbrio entre bancadas
Por: Redação
06/04/2026 • 11h10 • Atualizado
A janela partidária deste ano terminou com forte impacto na composição da Câmara dos Deputados, evidenciando a intensificação das articulações políticas de olho nas eleições. Em pouco mais de 30 dias, ao menos 121 parlamentares titulares mudaram de legenda, número que representa mais de 20% da Casa e que ainda pode crescer com a formalização de filiações anunciadas nos últimos dias.
O movimento foi impulsionado pela busca de melhores condições eleitorais, seja para garantir reeleição, seja para ampliar espaço político em novas siglas. O período, previsto na legislação, permite a troca de partido sem punições, funcionando como um momento estratégico para rearranjos partidários.
Entre os principais destaques, o PL saiu fortalecido, alcançando a marca de 100 deputados. A legenda ampliou sua bancada ao atrair novos nomes e recuperar perdas acumuladas desde as eleições de 2022. Já o União Brasil registrou o maior número de saídas, com 28 baixas, embora tenha conseguido amenizar o impacto com 21 novas filiações, mantendo-se entre as maiores forças da Câmara.
O PT, por sua vez, teve mudanças pontuais e preservou sua posição de destaque. A sigla perdeu a deputada Luizianne Lins, após décadas de filiação, mas compensou com novas adesões e segue como a segunda maior bancada.
Outros partidos também passaram por ajustes relevantes. O PSDB ganhou fôlego com saldo positivo de filiações, enquanto o PDT enfrentou uma das maiores perdas proporcionais, evidenciando dificuldades na recomposição de seus quadros. Siglas como PSD, MDB, PP e Republicanos registraram movimentações equilibradas entre saídas e entradas.
A janela partidária, que começou em 5 de março e teve duração de 30 dias, é aplicada a cargos proporcionais, como deputados e vereadores, devido à regra da fidelidade partidária, que estabelece que o mandato pertence ao partido. Fora desse período, a troca de legenda pode resultar na perda do cargo.
Encerrada essa fase, o foco agora se volta às convenções partidárias, quando serão definidos os candidatos que disputarão as eleições de 2026. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, dando início a uma nova etapa da corrida eleitoral.
No Senado, onde não há exigência de janela para mudanças, também houve movimentações relevantes. Trocas de partido envolvendo nomes de peso refletem o mesmo cenário de reorganização política observado na Câmara, reforçando que o tabuleiro eleitoral já está em plena transformação.

