Secretário de Justiça Felipe Freitas reage à proposta de ACM Neto para limitar atuação do Inema
Governo da Bahia alerta para impactos na política ambiental baiana
Por: Redação
05/06/2026 • 17h01
Uma declaração do pré-candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto, sobre a atuação do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) provocou forte reação dentro do governo estadual e ampliou o debate sobre o futuro da política ambiental baiana.
Em vídeo que circula nas redes sociais, ACM Neto aparece ao lado do empresário Rogério Faedo, liderança bolsonarista com atuação no Oeste da Bahia, afirmando que pretende limitar a atuação do Inema já no primeiro dia de uma eventual gestão. Na prática, a proposta aponta para uma flexibilização das exigências ambientais aplicadas a novos empreendimentos no estado.
A fala foi duramente criticada pelo secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, que classificou a proposta como uma ameaça à política ambiental e ao desenvolvimento econômico sustentável da Bahia.
Segundo Freitas, ACM Neto reproduz um modelo alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, marcado pelo enfraquecimento dos órgãos de fiscalização ambiental e pela desregulamentação de licenciamentos.
“Com a falsa alegação de proteger os produtores, ACM Neto promete desregulamentar os licenciamentos, o que poria em risco a participação da Bahia no mercado nacional e internacional. Ele, na prática, anuncia o seu compromisso com o desmonte e a precarização da política pública de meio ambiente e desenvolvimento econômico”, declarou o secretário.
Felipe Freitas destacou ainda que o cumprimento das normas ambientais deixou de ser apenas uma pauta ecológica e passou a ser uma exigência econômica global. De acordo com ele, países e empresas têm adotado critérios rígidos de sustentabilidade para manter relações comerciais e atrair investimentos.
Na avaliação do secretário, o discurso do pré-candidato da oposição pode gerar insegurança institucional e produzir efeitos contrários aos anunciados. Em vez de estimular o crescimento econômico, a flexibilização ambiental poderia afastar investidores estrangeiros, aumentar o desgaste da imagem da Bahia no exterior e acelerar processos de degradação ambiental.
O episódio também acendeu o alerta entre setores do próprio agronegócio, que dependem da credibilidade ambiental para manter mercados consumidores e linhas de financiamento internacional.
“É muito perigoso ouvir de um pré-candidato ao Governo da Bahia que vai limitar fiscalizações públicas numa área tão estratégica. Com qual objetivo? Favorecer os seus aliados?”, questionou Felipe Freitas.
O embate reforça a tendência de polarização antecipada da disputa eleitoral na Bahia, agora também marcada pelo confronto em torno da preservação ambiental, do modelo de desenvolvimento econômico e do papel do Estado na fiscalização de grandes empreendimentos.

