Robinson Almeida critica influência externa em temas de segurança pública do Brasil
Parlamentar vê na decisão dos EUA uma tentativa de interferência em assuntos internos do país
Por: Redação
02/06/2026 • 14h04
O deputado estadual Robinson Almeida (PT), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), protocolou uma moção criticando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a decisão do governo norte-americano de classificar as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
A iniciativa foi apresentada na mesma semana em que o deputado estadual Leandro de Jesus (PL) protocolou uma moção de aplausos ao líder norte-americano na Casa Legislativa.
Segundo Robinson, a medida adotada pelos Estados Unidos representa uma tentativa de interferência em assuntos internos do Brasil e cria precedentes para possíveis violações da soberania nacional. No documento, o parlamentar argumenta que o combate ao crime organizado deve permanecer sob responsabilidade das instituições brasileiras.
“O governo Trump utiliza o discurso do combate ao terrorismo como instrumento político para ampliar sua influência internacional e pressionar países soberanos. O Brasil não pode aceitar qualquer tentativa de tutela estrangeira sobre suas instituições, suas leis e seu território”, afirmou.
Na avaliação do deputado petista, a decisão de Washington integra uma estratégia mais ampla dos Estados Unidos para manter sua influência global diante das transformações no cenário geopolítico internacional, especialmente com o crescimento da China.
“Os Estados Unidos tentam manter sua posição dominante a qualquer custo. Vemos isso nas guerras e intervenções promovidas pelo governo americano em diversas partes do mundo e agora em iniciativas que buscam criar mecanismos para interferir em países latino-americanos. O discurso do combate ao terrorismo não pode ser transformado em instrumento de violação da soberania nacional”, declarou.
Robinson também criticou a atuação dos senadores e deputados ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, citando especificamente Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, por apoiarem a articulação da medida junto ao governo norte-americano.
“É muito grave que agentes políticos brasileiros busquem apoio estrangeiro para interferir em questões internas do país. A história mostra que o Brasil já sofreu consequências de intervenções externas em momentos decisivos da sua história. Não podemos aceitar qualquer tentativa de manipulação política patrocinada por interesses internacionais”, disse.
O parlamentar ressaltou que o enfrentamento ao crime organizado exige cooperação entre países, mas destacou que essa colaboração deve ocorrer com respeito à autonomia de cada nação. “O Brasil deve cooperar com todos os países no combate ao tráfico de drogas, à lavagem de dinheiro e ao crime transnacional. Mas cooperação não significa submissão. Nenhum país tem o direito de utilizar sua força econômica ou militar para impor decisões sobre outro Estado soberano”, afirmou.
Robinson ainda elogiou a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na condução das relações internacionais e na defesa dos interesses brasileiros. “O Brasil é uma nação soberana e o presidente Lula age com altivez ao defender os interesses do nosso país. Não somos quintal dos EUA, não somos colônia americana, não somos vassalos de Trump”, concluiu.

