Quarta-feira, 3 de junho de 2026Sobre nósFale conosco
Camara salvador

Início

Notícias

Robinson Almeida critica influência ext...

Robinson Almeida critica influência externa em temas de segurança pública do Brasil

Parlamentar vê na decisão dos EUA uma tentativa de interferência em assuntos internos do país

Por: Redação

02/06/202614h04

Foto: Ascom ALBA/Agência ALBA

O deputado estadual Robinson Almeida (PT), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), protocolou uma moção criticando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a decisão do governo norte-americano de classificar as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

A iniciativa foi apresentada na mesma semana em que o deputado estadual Leandro de Jesus (PL) protocolou uma moção de aplausos ao líder norte-americano na Casa Legislativa.

Segundo Robinson, a medida adotada pelos Estados Unidos representa uma tentativa de interferência em assuntos internos do Brasil e cria precedentes para possíveis violações da soberania nacional. No documento, o parlamentar argumenta que o combate ao crime organizado deve permanecer sob responsabilidade das instituições brasileiras.

“O governo Trump utiliza o discurso do combate ao terrorismo como instrumento político para ampliar sua influência internacional e pressionar países soberanos. O Brasil não pode aceitar qualquer tentativa de tutela estrangeira sobre suas instituições, suas leis e seu território”, afirmou.

Na avaliação do deputado petista, a decisão de Washington integra uma estratégia mais ampla dos Estados Unidos para manter sua influência global diante das transformações no cenário geopolítico internacional, especialmente com o crescimento da China.

“Os Estados Unidos tentam manter sua posição dominante a qualquer custo. Vemos isso nas guerras e intervenções promovidas pelo governo americano em diversas partes do mundo e agora em iniciativas que buscam criar mecanismos para interferir em países latino-americanos. O discurso do combate ao terrorismo não pode ser transformado em instrumento de violação da soberania nacional”, declarou.

Robinson também criticou a atuação dos senadores e deputados ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, citando especificamente Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, por apoiarem a articulação da medida junto ao governo norte-americano.

“É muito grave que agentes políticos brasileiros busquem apoio estrangeiro para interferir em questões internas do país. A história mostra que o Brasil já sofreu consequências de intervenções externas em momentos decisivos da sua história. Não podemos aceitar qualquer tentativa de manipulação política patrocinada por interesses internacionais”, disse.

O parlamentar ressaltou que o enfrentamento ao crime organizado exige cooperação entre países, mas destacou que essa colaboração deve ocorrer com respeito à autonomia de cada nação. “O Brasil deve cooperar com todos os países no combate ao tráfico de drogas, à lavagem de dinheiro e ao crime transnacional. Mas cooperação não significa submissão. Nenhum país tem o direito de utilizar sua força econômica ou militar para impor decisões sobre outro Estado soberano”, afirmou.

Robinson ainda elogiou a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na condução das relações internacionais e na defesa dos interesses brasileiros. “O Brasil é uma nação soberana e o presidente Lula age com altivez ao defender os interesses do nosso país. Não somos quintal dos EUA, não somos colônia americana, não somos vassalos de Trump”, concluiu.