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Prefeito investigado celebra retorno ao cargo em meio a suspeitas de corrupção na Bahia

João Vitor (PSD), afastado na Operação Overclean, volta por decisão do STF e permanece citado em apuração sobre fraudes e lavagem de dinheiro

Por: Redação

12/02/202610h13

Foto: Reprodução/Arte/Metrópoles

Enquanto a Operação Overclean ainda avança sobre suspeitas de desvio de emendas parlamentares, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro, o prefeito de Riacho de Santana, João Vitor (PSD), escolheu o tom da celebração para marcar seu retorno ao cargo: carreata, música de axé e fogos de artifício pelas ruas da cidade.

A cena festiva, registrada no último dia 2 de fevereiro, contrasta com o contexto que antecedeu sua recondução. João Vitor estava afastado havia cerca de 110 dias por decisão judicial no âmbito da investigação conduzida pela Polícia Federal. A volta ao comando da prefeitura foi autorizada por decisão do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O retorno, no entanto, não significa absolvição nem arquivamento do caso. O prefeito segue sendo investigado e aparece em conversas analisadas pela Polícia Federal, conforme revelou o portal Metrópoles. As mensagens são atribuídas ao empresário Evandro Baldino do Nascimento, apontado como operador logístico do esquema.

Nos diálogos interceptados, Evandro trataria de pagamentos a prefeitos e de articulações envolvendo municípios beneficiados por emendas parlamentares direcionadas. As conversas mencionam envio de “encomendas”, depósitos fracionados e transferências para contas indicadas por gestores municipais. Em uma das trocas, ao ser questionado sobre como ocorreria o pagamento, ele responde que iria “mandar uma encomenda” e, em seguida, envia imagens de comprovantes bancários.

Segundo os investigadores, o conteúdo das mensagens sugere um mecanismo estruturado de repasse sistemático de valores a prefeitos cujos municípios recebiam recursos federais. Em contrapartida, empresas previamente escolhidas seriam contratadas para executar obras públicas, prática que, se comprovada, representa um ataque direto aos princípios da legalidade, moralidade e impessoalidade na administração pública.

Evandro Baldino do Nascimento é ex-presidente da Câmara de Vereadores de Várzea do Poço (BA) e sócio da Construtora Impacto, empresa que já foi alvo de mandados de busca e apreensão na Overclean. Ele foi preso na primeira fase da operação, no final de 2024, e posteriormente solto mediante uso de tornozeleira eletrônica. Mesmo em liberdade, segue citado em diferentes etapas da investigação.

A volta triunfal do prefeito às ruas, sob som de axé e explosões de fogos, lança uma sombra sobre o debate público: até que ponto decisões judiciais que permitem a recondução de gestores investigados atendem ao interesse coletivo? Em cidades pequenas, onde a política se confunde com relações pessoais e dependência econômica, o simbolismo da festa pode soar menos como celebração democrática e mais como demonstração de força.

Enquanto a Justiça segue analisando provas e depoimentos, Riacho de Santana permanece no centro de um escândalo que expõe fragilidades no controle das emendas parlamentares e nos mecanismos de fiscalização de contratos públicos. A festa acabou. A investigação, não.