Sexta-feira, 4 de setembro de 2026Sobre nósFale conosco
CMS -SETEMBRO 2026

Início

Notícias

Vorcaro alega que doações a Bolsonaro e...

Vorcaro alega que doações a Bolsonaro e Tarcísio eram propina

Por: Redação

03/09/202621h30

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro fez acusações em proposta de delação rejeitada, envolvendo doações a campanhas eleitorais e propinas.

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, cuja proposta de delação premiada foi rejeitada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, afirmou que os R$ 5 milhões doados às campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2022 foram, na verdade, pagamentos de propina orquestrados com Gilberto Kassab, presidente do PSD.

Bolsonaro, que perdeu a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), recebeu R$ 2 milhões de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Já Tarcísio, que venceu a disputa para governador de São Paulo, recebeu R$ 3 milhões e nomeou Kassab como seu secretário de Governo. Os relatos de Vorcaro, revelados pelo UOL e confirmados pela Folha de São Paulo, foram apresentados em três propostas de delação que foram todas recusadas pelas autoridades, que não identificaram novidades nos relatos.

Tarcísio negou qualquer relação com Vorcaro e disse não ter conhecimento das alegações, enquanto Kassab descreveu a versão do ex-banqueiro como "fantasiosa". Nos relatos, os pagamentos foram classificados como "contrapartidas financeiras" para manter o funcionamento do Credcesta, um cartão de crédito consignado utilizado por empresas ligadas ao Master.

A operação, segundo Vorcaro, teve início durante o governo de João Doria (PSDB) e envolveu um ex-sócio seu, Augusto Lima. O ex-banqueiro alegou que a propina visava garantir a continuidade do negócio com a chegada de Tarcísio ao governo em janeiro de 2023.

Vorcaro detalhou que o acordo com Kassab previa o pagamento de 5% do lucro das operações com o Credcesta, além de contribuições para campanhas de aliados. As doações eleitorais, segundo ele, teriam sido inicialmente feitas em dinheiro, mas Kassab solicitou que fossem feitas oficialmente.

Os pagamentos, conforme relatado, foram feitos de duas formas: R$ 5 milhões em doações de campanha (a Tarcísio e Bolsonaro) e R$ 10 milhões em caixa dois, em espécie, para o PSD. A mediação das transferências teria sido feita por Thiago Botelho.

Em resposta, Kassab afirmou que nunca teve contato com Vorcaro e que não recebeu valores em espécie. Tarcísio, por sua vez, destacou que sua campanha foi conduzida dentro da lei e que a creditação da empresa ligada ao Master ocorreu na gestão anterior.

Durante uma transmissão ao vivo, o senador Flávio Bolsonaro (PL) insinuou que Kassab poderia ter se beneficiado financeiramente, ironizando a ideia de que Kassab teria contribuído para a campanha de seu pai.

Vorcaro está preso desde março e já tentou negociar um novo acordo de delação. Após a rejeição de sua segunda proposta, ele foi transferido para uma unidade prisional no Distrito Federal. Seu advogado, Daniel Bialski, afirmou que Vorcaro deseja colaborar novamente se surgir a oportunidade.

Recentemente, o ministro André Mendonça comentou sobre as tentativas de delação, afirmando que não aceitaria pressões para manter a prisão de Vorcaro com o intuito de obter informações. Os relatos de Vorcaro ainda precisam ser investigados, em conjunto com as evidências apresentadas.

Fonte: Política Livre