Trump planeja ações contra monopólio da carne nos EUA
Por: Redação
28/08/2026 • 20h55
O presidente americano busca permitir que pecuaristas processem sua própria produção, em resposta às críticas sobre a concentração do setor.
Nesta sexta-feira (28), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que está elaborando medidas para permitir que agricultores e pecuaristas processem sua própria produção, como parte de uma estratégia para combater a concentração do setor de carnes no país. Essa iniciativa surge após Trump ter comentado, em um podcast, sobre a existência de um monopólio no processamento de carne bovina nos EUA, e após seu conselheiro comercial, Peter Navarro, ter acusado quatro grandes empresas do setor de formar um cartel.
Trump destacou que apenas quatro empresas dominam o mercado, o que prejudica os agricultores e pecuaristas. Ele também mencionou que uma parte significativa das grandes processadoras é de propriedade estrangeira e que está tomando providências legais para garantir que os produtores possam processar seus próprios alimentos. Embora tenha feito o anúncio, o presidente não especificou quais regras pretende alterar.
A proposta é ainda mais relevante em um contexto de aumento nos preços das proteínas de origem animal nos Estados Unidos e redução do rebanho. Em janeiro, o preço da carne moída atingiu US$ 6,759 (R$ 35,10), representando um aumento de 18% em relação ao ano anterior. O índice de preços ao consumidor, divulgado pelo Departamento do Trabalho, mostrou que a inflação da carne foi de 9,4% nos 12 meses até julho.
As quatro maiores processadoras de carne bovina nos EUA - JBS, Tyson Foods, Cargill e National Beef - controlam cerca de 85% do mercado. A JBS é uma empresa brasileira, enquanto a National Beef é controlada pela MBRF. A assessoria de imprensa de ambas as empresas não respondeu aos pedidos de comentário até o fechamento desta matéria.
A secretária da Agricultura, Brooke Rollins, anunciou que o governo pretende fazer uma série de anúncios a partir de segunda-feira (31) para apoiar produtores e pequenos processadores de carne, incluindo a redução da burocracia e o incentivo à comercialização entre estados.
Esta discussão começou durante uma entrevista de Trump ao apresentador conservador Glenn Beck, onde foram abordadas as dificuldades que os pecuaristas enfrentam devido às regulamentações federais. Atualmente, a legislação exige inspeção federal para a comercialização de carne de animais abatidos e processados pelos próprios pecuaristas, embora existam algumas exceções.
A proposta de flexibilizar essas normas gerou reações divergentes. O Meat Institute, que representa as empresas processadoras, alertou que a venda de carne sem inspeção poderia comprometer a segurança alimentar. Por outro lado, a National Cattlemen’s Beef Association, que representa os pecuaristas, mostrou-se favorável à redução das regulamentações, mas defendeu a manutenção dos padrões de inspeção.
A Casa Branca intensificou sua crítica às grandes processadoras neste mês, com Navarro reafirmando que as quatro principais empresas formam um cartel e destacando a influência brasileira no setor. Ele acusou essas empresas de pressionar tanto os pecuaristas, pagando menos pelo gado, quanto os consumidores, cobrando preços elevados nos supermercados.
Recentemente, a MBRF afirmou que opera dentro das leis de defesa da concorrência e mantém políticas éticas. A JBS não se manifestou sobre as acusações. Além disso, em uma medida para tentar conter os preços, Trump assinou uma autorização para aumentar temporariamente em 300 mil toneladas a cota de carne bovina magra com tarifa reduzida, o que gerou críticas entre os pecuaristas americanos temerosos de que isso pressione os preços pagos a eles.
Fonte: Política Livre

