Relatório destaca avanços e falhas em plataformas digitais na luta contra desinformação eleitoral
Por: Redação
14/08/2026 • 21h25
Estudo revela que Telegram e Grok, do X, carecem de políticas específicas para proteger a integridade do pleito.
Um novo relatório, intitulado "O papel das plataformas digitais na proteção da integridade eleitoral", elaborado por 65 organizações de pesquisa, concluiu que, enquanto a maioria das redes sociais e aplicativos de mensagens, exceto o Telegram, avançaram nas iniciativas contra a desinformação eleitoral, as plataformas de inteligência artificial ainda carecem de políticas robustas nesse campo.
O estudo, acessado pelo jornal Folha de São Paulo, classificou as plataformas com base em suas políticas direcionadas à desinformação eleitoral em relação às eleições brasileiras de 2026, bem como na transparência e acessibilidade dos canais de denúncia. O YouTube e as redes sociais da Meta (Facebook e Instagram) se destacaram como as mais bem avaliadas, seguidas por Kwai, WhatsApp, X e TikTok. Por outro lado, as plataformas de IA como Claude (Anthropic), Gemini (Google) e ChatGPT (OpenAI) empataram em desempenho, enquanto Grok, do X, e Telegram ficaram nas últimas posições por não possuírem políticas específicas para o contexto eleitoral.
Os pesquisadores expressaram preocupação com a atuação dos chatbots de IA nas eleições, destacando que muitas dessas plataformas têm um nível quase inexistente de políticas voltadas para a integridade eleitoral. Segundo o relatório, mesmo as plataformas que têm algum tipo de política, como ChatGPT e Claude, apresentam lacunas significativas, enquanto MetaAI, Grok e Gemini não possuem diretrizes claras para seu uso político.
Andressa Michelotti, pesquisadora da UFMG, comentou que as políticas atuais das plataformas de IA são rudimentares e difíceis de localizar, ressaltando que, apesar do potencial do Brasil como um grande usuário dessas ferramentas, as diretrizes são pouco acessíveis e, em alguns casos, não estão traduzidas para o português.
O relatório também apontou que a Anthropic possui uma abordagem mais avançada ao combinar políticas específicas para integridade eleitoral com um compromisso de informar sobre as eleições de 2026. Já a OpenAI oferece um conjunto abrangente de salvaguardas textuais, mas com a documentação focada nas restrições aos usuários. No caso do Google, a informação sobre Gemini está dispersa entre várias páginas, sem um documento específico sobre governança eleitoral.
As diretrizes atuais concentram-se principalmente na prevenção de pedidos feitos pelos usuários, deixando de lado outros riscos, como personalização política automatizada e a integração de modelos generativos com publicidade digital. O cenário eleitoral de 2026 será marcado por novas realidades informacionais, diferenciando-se do pleito de 2022, em que o foco era a moderação de conteúdo nas redes sociais.
Em 2024, o TSE estabeleceu diretrizes iniciais para o uso de IA, incluindo a proibição de deepfakes e a exigência de rotulagem para mídias sintéticas. Para 2026, novas regras foram definidas, como a proibição de veicular conteúdos gerados por IA durante um período crítico em relação ao dia da votação. Além disso, as plataformas devem apresentar planos detalhados de conformidade com essas regras.
Os pesquisadores ressaltaram que as redes sociais evoluíram em suas políticas de integridade eleitoral desde 2022. A pesquisa apontou que a maioria das plataformas já aborda questões como desinformação sobre o processo eleitoral e conteúdos que podem suprimir o voto.
Por fim, o relatório criticou a transparência do Telegram em comparação ao WhatsApp, que possui políticas mais detalhadas e mecanismos de funcionamento mais claros. Nenhuma das plataformas, entretanto, apresentou disposições sobre o uso de chatbots e conteúdos sintéticos para intermediar a comunicação entre campanhas e eleitores.
Fonte: Política Livre

