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Programas de Lula e Flávio apresentam promessas sem clareza financeira

Por: Redação

15/08/202615h54

Os planos de governo de Lula e Flávio Bolsonaro carecem de explicações sobre como financiar as propostas, segundo economistas.

Os projetos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentam diversas promessas, mas não esclarecem como pretendem equilibrar as contas públicas, conforme análise de economistas publicada na Folha. A arrecadação e os gastos da União serão temas cruciais nos próximos anos, independentemente do vencedor das eleições, mas ambos os programas falham em abordar essa questão de forma clara.

Sergio Vale, da MB Associados, observa que é comum omitir questões delicadas e impopulares nos planos de governo, e isso se reflete nas propostas de Lula e Flávio. Ele destaca a falta de debate sobre emendas parlamentares e reformas na Previdência, saúde e educação. O programa de Flávio é criticado por prometer cortes de gastos e impostos, ao mesmo tempo em que sugere aumento de despesas em infraestrutura e segurança pública, como a construção de presídios. Já o plano do PT prioriza o controle do crescimento dos gastos, buscando um resultado fiscal positivo por meio da retomada do crescimento econômico.

Gustavo Pessoa, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), ressalta que ambos os programas enfatizam apenas as propostas populares, sem considerar os impactos negativos. O texto de Lula reforça a ideia de um Estado indutor e intervencionista, semelhante aos seus mandatos anteriores, enquanto o de Flávio se posiciona como liberal, propondo a redução da dívida e cortes de impostos, mas sem esclarecer quem suportará os custos dessas mudanças.

Pessoa também aponta que 91% do Orçamento é destinado a gastos correntes, limitando a margem de manobra para ajustes, mas não há discussão sobre como restringir essas despesas. A taxa de juros elevada, atualmente em 14%, é reconhecida por ambos, mas sem propostas concretas para sua redução.

Tatiana Pinheiro, da FGV, observa que o programa de Lula é menos específico em comparação a 2022, quando havia compromissos claros como a valorização do salário mínimo e a reforma tributária. Flávio, por outro lado, apresentou mais propostas concretas, como o "Tesouraço", que envolve cortes de despesas e reforma administrativa. O programa do PT sugere que o atual arcabouço fiscal é suficiente para equilibrar as contas, enquanto especialistas defendem mudanças mais profundas.

Juliana Inhasz, do Insper, critica a falta de proposta de financiamento para a ampliação de programas sociais no plano de Lula. Ela destaca que a reforma da Previdência, que deveria ser uma prioridade, não é sequer mencionada. Lula tenta agradar sua base eleitoral com um governo mais participativo, mas sem um plano claro de sustentabilidade financeira.

Nelson Marconi, da FGV, que coordenou a elaboração dos programas de Ciro Gomes, explica que os textos passam por uma revisão que tende a simplificar as propostas, evitando compromissos com temas polêmicos, o que pode explicar a falta de detalhes financeiros. A omissão de cortes pode ser uma estratégia para não aumentar a rejeição aos candidatos.

Fonte: Política Livre